Por
Roberta Cesarino Iahn
Independente de qualquer obrigatoriedade existente sobre
a origem e função dos projetos experimentais para o Curso de Publicidade e Propaganda, a sua verdadeira
importância está centrada na relação
humana, no desenvolvimento de idéias e processos
entre pessoas que aparentemente tem o mesmo cliente,
mas precisam ao longo de um ano acertar as condições,
formas de atuação e interesses individuais
para estabelecer um trabalho e o processo criativo em
equipe.
Já
banal e muito explorado nas principais revistas empresariais
do ramo, o trabalho em equipe virou a respostas para
as grandes agências de publicidade buscarem
a lucratividade e os grandes clientes perseguirem
suas metas. Os médios e os pequenos, tanto
clientes como agências, viram no trabalho em
equipe a fórmula mágica para a sobrevivência
no mercado, a possível independência
de apenas um chefe, apenas uma visão e receita
para os problemas. Enfim, trabalhe em equipe e vença!!
Se
fosse fácil, o mundo empresarial não
teria mais a menor graça e os psicólogos
estariam absolutamente com os horários vagos,
já que se eu não tenho problema com
alguém do meu trabalho, meu chefe, minha dupla,
etc, não terei grandes conflitos a tratar,
a não ser, é claro, os sentimentais.
Ah! É aí que coisa pega - nos sentimentos.
Temos demais, à flor da pele, no limite, fora
dos eixos, embutidos, mas que eles existem... ah,
existem.
Então,
eis que surge a segunda grande solução
para a empresa. Depois da equipe, a comunicação.
Com esta nova arma, você controlará os
seus sentimentos e também os dos outros, evitará
mágoas e desentendimentos. Então, ta.
A gente lê na Você s/a e finge que acredita.
Todavia, já descobrimos que não há
comunicação que se sustente sem o objetivo.Você
pode ter tudo em uma empresa: excelentes profissionais,
formação estelar, preparo em comunicação,
treinamento, tudo. Mas se o objetivo não for
claro, "vamo batê cabeça",
restruturar várias vezes equipes e continuar
acusando a direção de falta de comunicação.
Com
projeto experimental, a história é a
mesma. Você forma a melhor equipe, muitas vezes
reúne os amigos em que confia, mas na hora
de trabalhar se esquece do propósito. "Nos
reunimos aqui para fazer o quê?" Os mais
entusiasmados - ou metidos mesmo - falam - "o
melhor trabalho"; mas se o objetivo é
aparecer sugiro outras técnicas, de preferência
que apareçam mais para a platéia. Assim,
a família, amigos e namorados sairão
achando você o máximo da criação.
No
final da faculdade de Publicidade, o que interessa
mesmo é a satisfação de ter desenvolvido
o que é certo para o seu cliente e para a sua
profissão. Ser criativo nas soluções,
enfrentar a mesmice do mercado e buscar não
só o melhor, o mais bonito, pois isso acaba
sendo uma obrigação que lhe perseguirá
por toda a vida. O mais legal e divertido é,
depois de quatro anos, é encerrar a faculdade
fazendo a diferença, pois talvez seja a única
vez que você realmente consiga fazer isso, e
se o fizer, acreditará e perseguirá
esta meta como algo sempre possível de ser
alcançado.
Há
seis anos acompanho o desenvolvimento de muitos projetos
experimentais. Quando pensei neste artigo, parei para
fazer a conta: 136 projetos em três instituições
de ensino diferentes. Muitos fizeram o melhor trabalho
da faculdade, lembro-me bem de seis. Com detalhes.
Outros, receberam prêmios fora da faculdade,
talvez uns 20 e muitos foram elogiados por profissionais
renomados pelo mercado em algum momento. Mas lembro-me
exatamente de quatro. Apenas quatro fizeram a diferença
para mim, para os seus realizadores e para quem teve
a sorte de ler em detalhes e aprender muito com o
pensamento alheio. Para elogiar ou criticar, não
interessa, pois eles não queriam a perfeição.
Queriam viver o momento com um objetivo muito claro:
ir além do projeto, das obrigatoriedades, da
banca, da nota... Eles queriam achar o ponto para
ver aquelas estrelinhas no céu, e ganharam
uma luz que não se apaga nem quando estão
ganhando pouco, numa equipe ruim, com problemas de
comunicação com o chefe ou até
mesmo desempregados, pois ninguém está
livre dos sofrimentos da vida, mas com ousadia, os
autores estarão livres para criar, errar e
mudar, e o melhor, ter boas histórias para
contar. |