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10/02/2012 - 15h42 - Atualizado em 21/05/2013 - 08h16

A Abadia de Northanger: A Personificação de uma Sociedade

Por Raquel Novaes, aluna do 2º ano do curso de Jornalismo

Uma das obras mais engraçadas da grande crítica de costumes do século XVIII, Jane Austen.

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Foto: Divulgação
A capa do livro na edição da Martin Claret

Uma adolescente com imaginação fértil e um acervo de livros de suspense. Esses são os ingredientes básicos usados pela maior escritora da literatura inglesa clássica, Jane Austen, em seu romance A Abadia de Northanger. Escrita em 1798, a obra só foi publicada após a morte da autora, em 1818, após passar um longo período na gaveta de um editor londrino.

O livro conta a história de Catherine Morland, uma garota de 17 anos, habitante de uma cidadezinha rural inglesa que não oferece nada para entreter uma jovem senhorita. Presa a este universo tedioso, resta a Catherine se deleitar com romances de suspense e a passar a maior parte do tempo no mundo imaginário criado por suas leituras.

A sorte da garota parece mudar quando é convidada por seus vizinhos, o sr. e a sra. Allen, para passar uma temporada na estação balneária mais movimentada da Inglaterra, Bath. E é ao sair de uma vida de completo marasmo para uma de bailes, óperas e divertimentos incessantes, que Catherine conhece Henry Tilney, um rapaz interessante e encantador que a convida para se hospedar na propriedade da família, uma abadia localizada em Northanger. Esse é o estopim usado por Austen para dar asas à imaginação fértil da garota que começa a confundir a realidade com o enredo de seus livros. Desnecessário dizer que as consequências da personalidade imaginativa da personagem são diversas situações constrangedoras diante da família Tilney, principalmente de Henry.

Considerado um dos livros mais divertidos e rápidos de Jane Austen, A Abadia de Northanger é uma sátira aos romances góticos que faziam grande sucesso na época, principalmente os da autora Ann Radcliff (um de seus livros, Os Mistérios do Castelo de Udolpho, é citado na história). Destaca-se também o fato de Catherine Morland não ser uma personagem forte, com uma característica que a diferencie das outras mulheres, como acontece com a maior parte das protagonistas da autora.

Como a própria Jane a define na obra, não nasceu para ser uma heroína romântica, pois é apenas uma garota provinciana como tantas outras. O que faz com que uma “ninguém” receba tanta atenção da maior crítica social de todos os tempos é a única coisa que Catherine faz bem, ler. Passando mais tempo no mundo dos livros do que no real, a personagem foi usada como personificação das jovens damas da época que encontravam na leitura uma grande companhia, realidade conhecida pela autora.

A Abadia de Northanger é um livro leve e divertido que mais uma vez prova que a pena de Jane Austen estava sempre afinada. Com bons momentos de humor, a obra não pende para o romance clichê e têm uma boa quantidade de surpresas para os leitores.