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13/01/2012 - 12h51 - Atualizado em 24/05/2012 - 02h28

War Horse - Cavalo de Guerra

Por Itamar Montalvão, aluno do 2º ano de Jornalismo

Um filme para nos fazer tirar um pouco a cabeça debaixo d’água e respirar um tipo de vida impossível no nosso tempo

 

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Reprodução

Cavalo de Guerra (War Horse, EUA, 2011), que estreou no último dia 6, é a adaptação para o cinema de um livro infantil escrito pelo dramaturgo inglês Michael Morpurgo, em 1982. A história também já havia originado uma peça na Broadway e agora chega às telas pelas mãos de Steven Spielberg, talvez o único diretor capaz de fazer um bom filme de guerra sob a perspectiva do amor de um menino por seu cavalo, um tema mais velho do que o próprio cinema.

Com todos os elementos que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood adora premiar, Cavalo de Guerra parece ser um filme feito para ganhar Oscars. Estão lá o retrato devastador de uma guerra, as ligações familiares sólidas, capazes de superar quaisquer adversidades, um animal quase humano em suas emoções para conquistar o coração da plateia e muitos dos chamados feel-good moments típicos de um filme-família para a temporada de final de ano, embora a produção tenha sido classificada como PG-13 nos EUA em virtude das cenas de batalha.

Tudo começa com o nascimento do potro Joey em uma fazenda de Devon, no interior da Inglaterra às vésperas da eclosão da Primeira Guerra Mundial. O menino Albert Narracott (Jeremy Irvine) acompanha o parto e se encanta pelo animal instantaneamente, passando a acompanhar seu crescimento. Logo de cara, com a belíssima fotografia de Janusz Kaminski e a música de John Williams, é impossível o espectador também não se deixar levar pela cena e embarcar naquela relação que se inicia.

Quando os donos de Joey decidem leiloá-lo, o pai de Albie, Ted Narracott (Peter Mullan), dá um lance muito maior do que suas possibilidades a fim de levar o animal para sua pequena propriedade, imbuído tanto pelas questões afetivas que movem seu filho quanto pela necessidade prática de ter um cavalo forte para arar a terra e garantir a colheita que livrará a família das dívidas com seu senhorio, Lyons (DavidThewlis). Mas Joey não é um cavalo qualquer. Albie terá muita dificuldade em domá-lo e Ted em convencer a mulher, Rose (Emily Watson), de que tomara a decisão correta.

A guerra contra a Alemanha começa e todos os cavalos em condições de ir para o campo de batalha são adquiridos pelo Exército inglês. Como Albert ainda não tem idade suficiente para se alistar, a separação é inevitável. A partir deste momento, Spielberg lança um olhar muito particular sobre a Primeira Guerra sob a perspectiva da incrível jornada de Joey através dos campos da França.
Cavalo de Guerra é um filme para nos fazer tirar um pouco a cabeça debaixo d’água e respirar um tipo de vida impossível no nosso tempo. Somente o cinema ou a literatura para transportar o homem de hoje para a Inglaterra rural do início do século XX, onde a vida acontecia em ritmo muito menos frenético, dando tempo para que sentimentos básicos não fossem esquecidos diante do turbilhão da “modernidade”.

O filme tem muito mais acertos do que erros, embora estes possam ser considerados comprometedores demais para um público mais exigente: a inverossimilhança (como na cena em que dois soldados de lados opostos da guerra se unem para salvar o cavalo), cansativo em quase 2 horas e meia de projeção e a ameaça constante de resvalar no sentimentalismo. Mas é uma bonita história, bem contada e lindamente filmada.

Um filme bastante corajoso por despertar no espectador sentimentos tão fora de moda neste tempo cínico em que vivemos, em que tudo é efêmero, corrido e digital. Claro que, considerando o selo Spielberg de qualidade, nem de longe Cavalo de Guerra pode ser considerado uma de suas melhores produções, mas consegue entreter. Cinema (também) não é isso? Enfim, podem apostar no 11 sem medo. Não será surpresa se no dia 26 de fevereiro der cavalo na cabeça.

 

 

 

 



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