Um livro que leva a pensar sobre os fundamentos das religiões da sociedade em que estamos inseridos

Em nossa sociedade, a palavra ateu é tão carregada de preconceitos, tão estigmatizada, que classificar um indivíduo como tal, longe de ser a identificação neutra de alguém que não acredita na existência de um deus ou divindades, beira um insulto, como se ateus fossem desprovidos dos valores éticos e morais que norteiam a conduta daqueles que creem.
Desde o século XVIII, quando surgiram as primeiras designações de ateísmo em textos filosóficos, a oposição entre o crer e o não crer pauta toda sorte de debates, tanto no âmbito privado quanto no público. E muita gente já morreu por conta disso.
Na contramão da estratégia beligerante e reducionista que opõe fé e razão, o filósofo suíço Alain de Botton, um ateu convicto, reflete em seu novo livro, Religião para ateus (Intrínseca, 2011, 261 páginas, R$ 19,90) sobre a importância dos rituais de algumas religiões para um convívio mais harmonioso em sociedade.
Ao contrário de ateus famosos, como o biólogo Richard Dawkins, que destrói sem nenhum resquício de piedade cada um dos fundamentos religiosos com a razão que só os cientistas têm, Botton segue o caminho do meio e conduz o leitor à reflexão sobre o que filtrar nas doutrinas religiosas para tornar a sua vida melhor.
Com um texto inteligente e prazeroso, afastando qualquer ameaça de autoajuda barata, Alain de Botton reconhece em certos aspectos das religiões uma forma eficiente do homem lidar com questões muito íntimas das quais a simples vida secular não dá conta.
Deus pode estar morto, como já nos disse Nietzsche, mas Botton sabe também que os anseios que levaram a humanidade a criá-lo não se dissipam com a mera análise racional das imprecisões científicas de certos fenômenos religiosos.
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