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07/12/2011 - 11h21 - Atualizado em 22/05/2012 - 11h29

Luz, câmera e ação

Por Bianca Castro e Renata Barranco, alunas do 2º ano de Jornalismo

Presente na história do cinema desde seu início, a fotografia deixa de ser apenas um recurso técnico para, também, servir como temática de muitas obras

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Reprodução
Janela Indiscreta: James Stewart se comporta
como um espectador de cinema

Duas analogias são empregadas para definir a atividade de um diretor de cinema: a musical e a arquitetônica. Ele é como um maestro ou um arquiteto, que constrói um emaranhado de símbolos que possuam sentido. No entanto, temos a tendência de esquecer o principal papel que um diretor de arte deve desempenhar: a de fotógrafo. O trabalho de construção de imagens nos leva ao princípio daquilo que hoje chamamos de arte cinematográfica.

Se a fotografia teve forte influência da pintura por “congelar” e imortalizar a imagem em um espaço de tempo definido, então o cinema, sendo a arte de paralisar o tempo com imagens que ganham movimento quando exibidas em sequência, nasceu, definitivamente, da fotografia.

O diretor-fotógrafo – quem define o enquadramento, a iluminação, o tempo que é necessário para destacar um momento, e todos os detalhes que formam um filme – irá, ao longo do tempo, ser um verdadeiro construtor de sentidos e significados, que podem modificar por completo o conceito ou a natureza de uma obra. Seja nos monumentais estúdios de Hollywood, ou em locações europeias, o cinema, desde seu início, se posicionou a favor daquilo que Josep Català chama de “transdisciplinaridade da imagem”, ou a mutação de uma imagem clássica para uma imagem do futuro.

Esse passado cinematográfico de construção de linguagens e de narrativas favoreceu, em grande medida, as produções europeias do final da primeira década do século XX, principalmente no cinema italiano. Diretores como Michelangelo Antonioni, Roberto Rossellini e Frederico Fellini teriam na Cinecittà, uma pequena cidade italiana, o local de produção de centenas de filmes  que marcariam o uso de uma nova linguagem cinematográfica: a da intimidade. Isso ocorre, essencialmente, porque o vídeo e a fotografia, quando utilizados na atmosfera cinematográfica, superam as barreiras existentes entre mobilidade e imobilidade.

Foi a partir dos anos 50, que a fotografia deixou de figurar apenas nos créditos para servir de tema para muitos filmes. Esse marco ocorreu com o filme Depois daquele beijo (Blow up, 1966), de Michelangelo Antonioni. A obra, baseada parcialmente no conto Las babas del diablo, do argentino Julio Cortázar, narra a história do fotógrafo Thomas, interpretado por David Hemmings, que, perante a cansativa vida na cidade, é estimulado por suas fotos. Em um feroz estudo sobre assuntos como a paranoia e a desorientação, o filme impulsiona dúvidas a respeito da verdade a partir daquilo que se vê, daquilo que não se vê e daquilo que só uma câmera consegue capturar.

Um filme anterior ao de Antonioni, e que também utilizou a linguagem fotográfica, foi o musical Cinderela em Paris (Funny Face, 1957), de Stanley Donen (co-diretor de Cantando na Chuva, de 1952). Nesse espetáculo teatral, Fred Astaire e Audrey Hepburn se encontram para dar vida a um fotógrafo de moda e uma humilde (porém deslumbrante) balconista de uma livraria no Greenwich Village, em Nova York.

Porém, o filme que conseguiria dar o status necessário à fotografia no cinema seria o suspense Janela indiscreta (Rear window, 1954), de Alfred Hitchcock. O fotógrafo, interpretado por James Stewart, se comporta como um verdadeiro espectador de cinema, sendo seu quadro fotográfico sua janela, e a partir de sua câmera, visualiza tudo o que acontece além de seu apartamento. Inúmeras comparações podem ser feitas a partir da análise do longa, e é isso que o transforma em um verdadeiro marco para a história do cinema. Os exemplos vão desde o recente fenômeno Big Brother até o mecanismo de segurança (panóptico) criado pelo filósofo Michel Foucault.

A fotografia, desse modo, seja nas telas de cinema ou na lente de uma câmera moderna, proporciona um momento de fruição a qualquer olhar.  O olhar-testemunha, que Roland Barthes chamaria de “efeito de real”, nos dá a chance de, dentre outras coisas, descobrir a estruturação de uma imagem, sua densidade, sua graduação e luminosidade etc. Isso ocorre de modo totalmente democrático – seja nas lentes de um fotógrafo que perambula pelas ruas de Paris ou por entre as teias do fotógrafo Peter Parker do Homem-aranha.



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