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18/11/2011 - 10h21 - Atualizado em 23/05/2012 - 13h28

A questão do abandono pela ótica dos irmãos Dardenne

Por Lidyanne Aquino, aluna do 3º ano de Jornalismo

Novo longa dos irmãos Dardenne explora os conflitos familiares

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Reprodução
Cena do longa, vencedor do Grande Prêmio
do Júri de 2011 em Cannes

Questões familiares permitem um leque de abordagens diferentes no cinema. Em especial quando a temática concentra-se nas dificuldades relacionais entre pais e filhos. Para os irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, então, esta abordagem parece bastante conveniente. No filme mais recente, O Garoto da Bicicleta, os diretores de O Silêncio de Lorna partem para outra vertente de um tema recorrente em seus trabalhos ao contar a história de uma criança abandonada pelo pai.

O estreante Thomas Doret dá vida a Cyril Catoul, garoto de 12 anos. Seu pai, Guy Catoul (Jérémie Renier), está com problemas financeiros e deixa o filho em uma espécie de internato-abrigo, com a promessa de que ele só teria que passar um mês no local. O tempo aparentemente suficiente para recuperar-se financeiramente estende-se sem aviso prévio.

Incomodado pelo receio de não ver mais o pai, o garoto não mede consequências para recuperar este contato - mesmo tendo que enfrentar inúmeros obstáculos para tanto. Uma das simbologias para o que restou da relação pai-filho personifica-se em uma bicicleta.

O item, que supostamente ficou com Guy, é recuperado por Samantha (Cécile De France). Em meio a uma das tentativas de Cyril para encontrar o pai, Samantha presencia o diálogo entre o garoto e os responsáveis do internato e comove-se a ponto de sair em busca da bicicleta e levá-la até o garoto.

Cyril é um tanto rude, de comportamento difícil - um reflexo, talvez, da condição de filho abandonado, que reluta em aceitar. E apesar do perfil distante, ele questiona Samantha e pergunta se ela não gostaria de ser sua guardiã, assumindo a responsabilidade de visitá-lo aos finais de semana.

A partir de então, cada passagem do longa contrasta a angústia de ter sido abandonado com a necessidade de aceitar o afeto de quem está disposto a oferecê-lo. O retrato apresentado do pai justifica aos poucos a personalidade conturbada do filho, e a dificuldade para aceitar o abandono agrava as dificuldades da atual situação de Cyril.

Não adianta se iludir com a imagem serena do pôster de divulgação do filme no Brasil. Como em outras obras dos premiados irmãos Dardenne, a serenidade não é obtida com facilidade e, para alcançá-la, é necessário enfrentar inúmeros percalços. A relação estabelecida entre as personagens de Thomas Doret e Cécile De France refletem bem essa característica. Em especial no papel de Cyril, que transmite facilmente ao espectador a sua inquietação de não pertencimento.

Vencedor do Grande Prêmio do Júri de 2011 em Cannes, O Garoto da Bicicleta não é um dos mais valorosos trabalhos da dupla, mas se sustenta ao apresentar uma história cada vez mais comum à sociedade moderna.



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