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17/11/2011 - 11h14 - Atualizado em 23/05/2012 - 00h07

Abraçando o universo dos livros infantis

Por Viviam Klanfer, aluna do 2º ano de Jornalismo

Encontro com Eva Furnari, escritora e ilustradora de livros infantis

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Reprodução

O apartamento de uma amiga de longa data foi o local escolhido por Eva Furnari, para uma conversa sobre a sua trajetória e o seu trabalho. Ao contrário do que se espera de uma escritora de livros infantis, Eva surpreendeu pelo seu jeito sério e contido, que remete ao de uma diretora de escola. Seus olhos grandes e castanhos, emoldurados por óculos de armação escura, mas delicada, ajudavam a compor o tom sério que a escritora transmitia.

A autora de Problemas Boborildos, A Bruxa Zelda e os 80 Docinhos, Os Problemas da Família Gorgonzola, entre tanto outros títulos que se destacam no amplo universo da literatura infantil brasileira, começou o encontro fazendo uma breve apresentação de sua história.

Eva nasceu em 1948 na Itália, chegando ao Brasil três anos depois com sua família. A caçula de quatro irmãos tem um pai químico, dois irmãos engenheiros e uma irmã física. As formações exclusivamente ligadas à área de exatas fez com que a futura escritora também tentasse esse caminho. Embora a influência da família tenha feito com que Eva iniciasse uma graduação em física na Universidade de São Paulo, essa tentativa teria vida curta.

Ela conta que sempre teve interesse pelas artes. Gostava principalmente de desenhos e pinturas. Ponderando seus gostos, o desejo de agradar a família e a falta de afinidade com as aulas de cálculo, a alternativa foi tentar arquitetura. Depois de um ano na física, Eva prestou novamente o vestibular e passou em arquitetura, também na USP, iniciando um caminho que acreditava ter mais chances de ser feliz.

“A faculdade foi um período interessante e intenso”, conta a escritora, lembrando da rica biblioteca, dos professores incríveis e das aulas de história da arte. Paralelamente com seu crescimento acadêmico, Eva foi construindo uma carreira de artista plástica, participando de exposições em salões de arte e, inclusive, ministrou aula de artes no museu Lasar Segall.

Professora de artes, arquiteta formada pela USP, ela teve sua primeira filha aos 27 anos de idade. A criança foi uma das responsáveis por Eva entrar em contato com o mundo infantil que, mais tarde, lhe renderia uma bem sucedida carreira de escritora e ilustradora. O interesse pelo tema foi tanto que largou as aulas para se dedicar a uma nova empreitada, os livros para crianças. Sem conhecer muito bem esse tipo de trabalho, ou mesmo quem eram os principais escritores e editores do meio, ela rascunhou algumas pequenas histórias e as apresentou à editora Ática, sendo surpreendentemente bem recebidas.

Ao contar sua história, Eva deixa transparecer em seu discurso um traço claro e marcante. A escritora baseia seu trabalho e as demais decisões de sua vida naquilo que acredita, tentando sempre fugir do padrão ou, pelo menos, não se deixar levar pelo que todo mundo faz.

Parece que essa característica foi favorável a ela e, mais do que gostar, a Ática pediu que a novata fizesse uma coleção inteira de pequenos livrinhos com desenhos para crianças. Hoje Eva tem 62 anos, mais de 60 livros publicados, uma sólida carreira, que já completou três décadas, e um contrato de 15 anos de exclusividade com a editora Moderna. Eva está sempre começando de novo.

Apesar de ser uma escritora e ter a regalia de poder fazer o que quiser com o seu tempo, podendo acordar às três horas da tarde e passar a noite toda trabalhando, Eva, como ela própria se define, é “super Caxias”. Acorda todos os dias às seis horas da manhã, toma seu café, faz ginástica, meditação e ioga. Tem horário para almoçar e jantar, inclusive, evita sair à noite durante a semana para estar bem disposta no dia seguinte. Além da rigorosa disciplina com que administra seu dia, seu ateliê é um exemplo de organização.

A escritora explica que esses fatores são fundamentais para que consiga concluir um trabalho, seja ele um texto ou uma ilustração. “Ter foco também é importante, pois somente assim entende ser possível alcançar seus objetivos. A profissão de escritor e ilustrador é algo que deve ser feito todo dia um pouco, ou seja, não surge da noite para o dia. É justamente por isso que se torna necessária a disciplina, para lutar contra todo tipo de distração que o mundo oferece, de programas de televisão a e-mails”, explica. 

Em seu ateliê, normalmente na parte da manhã, quando costuma escrever seus textos, Eva se deixa levar por sua imaginação e, de um profundo processo de introspecção, é que surgem suas histórias e personagens. Foi desse processo que sugiram o Bicho Felpudo, o Rufus, os Dodóis, o Dudimilo, o Momofo e a Dagnólia, algumas das figuras de seu último livro. Também foi desse mergulho, dentro de si mesma, que Eva criou a Bruxinha, uma de suas personagens mais famosas.



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