O Café Filosófico completa nove anos de existência com o tema “Humor, Críticas e Preconceito”
Aconteceu na tarde da última quarta-feira, 09/11, mais uma edição do evento mensal Café Filosófico no Parque Trianon. Desta vez o tema abordado foi “Humor, Críticas e Preconceito”, levantado devido às atuais polêmicas envolvendo humoristas fazendo afirmações ofensivas e controversas.
A comemoração do nono aniversário do Café Filosófico no Trianon foi aberta por uma apresentação musical, com o professor da Cásper Líbero Guilherme Grandi, tocando flauta transversal, e o violonista Artur Gobbi tocando quatro chorinhos de compositores brasileiros. A música Carinhoso, de Pixinguinha, fechou a apresentação da dupla, iniciando, assim o debate do evento.
Autor do livro Barão de Itararé: Herói de Três Séculos, sobre um dos pioneiros da sátira política no Brasil do século XX, o jornalista e geógrafo Mouzar Benedito foi o único palestrante da tarde. Bem-humorado e piadista, Mouzar, que trabalhou por anos no satírico tabloide O Pasquim, externou sua preocupação com a forma pela qual o humor é exibido na televisão atualmente: se não são formados por bordões vazios de fácil reconhecimento popular, são ofensivos e apelativos. Ele não culpa o público pelo sucateamento do humor, no entanto: “O humorista, tal como o jornalista, deve ter senso crítico.”
O “politicamente correto” é outro tema que aflige Mouzar. Cita como exemplo a palavra “negro”, que ganhou um significado pejorativo mesmo sendo um termo carregado de uma rica história de luta popular racial. O termo “afrodescendente”, explica Mouzar, não possui coerência: ele deveria, seguindo a mesma lógica, se denominar “eurodescendente de coração cafuso”.
Com carinho, lembrou-se do amigo Henfil, cartunista mineiro que faleceu em 1988, após contrair o vírus da AIDS por uma transfusão de sangue. Segundo Mouzar, se não fosse pela repressão aos veículos de comunicação durante a ditadura militar, Henfil não teria se mudado de São Paulo para o Rio de Janeiro, onde contrairia o vírus que o mataria anos depois.
Ele também criticou o jornalismo atual, denunciando que “hoje, a liberdade de imprensa é a liberdade do patrão”. Diz, com isso, que o jornalismo está tão atrelado à política e ao capital que não pode mais exercer a plenitude da profissão: “Há uma censura feita não pelo governo, mas pelos patrocinadores”.
Após explanar suas opiniões, Mouzar continuou a debater a mudança do humor com a plateia, relembrando comediantes como Chico Anysio e Costinha que, mesmo ácidos e “picantes”, jamais foram ofensivos como humoristas da atual geração: “Os comediantes do passado usavam o humor como arma contra o status quo. Os de hoje querem apenas forçar risos sem usar o senso crítico”, conclui o jornalista.
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