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31/10/2011 - 14h09 - Atualizado em 22/05/2012 - 18h17

Para engrandecer os pequenos e cativar os adultos com velhas histórias

Por Heloisa Guedes, aluna do 1º ano de Jornalismo

Produção francesa “Os Contos da Noite”, traz consigo pequenas lições de vida em animação de cores vibrantes e válida para adultos e crianças

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Reprodução
Um dos contos da película contempla
as tradições do Tibet

Captar a atenção de uma criança em épocas nas quais o setor tecnológico não passa grandes períodos sem lançar novidades, que tornam os desenhos cada vez mais elaborados, já não é mais uma tarefa tão simples. O filme Os Contos da Noite, no entanto, parece buscar o equilíbrio entre lições de vida atemporais e uma animação em 3D que evidencia as cores e formas, sendo sutilmente moderna. A produção dirigida por Michel Ocelot e que participou do 61º Festival de Berlim, teve exibição na 35ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

O diretor, nascido na França, aos seis anos foi morar na Guiné africana. Lá ele pôde entrar em contato com as mais diversas etnias e religiões, o que o ajudou a tomar uma consciência mais ampla das alteridades culturais. As marcas dessa vivência parecem ter sido impressas nas cinco narrativas que compõem Os Contos da Noite. Elas não se focam em apenas uma tradição temporal e local; pelo contrário, abrangem diferentes épocas e costumes.

O gênero destas narrativas, como o próprio nome deixa claro, é o conto. Resgatando velhas histórias, elas são elaboradas por um rapaz, uma moça e um homem idoso que se encontram à noite em um antigo cinema. Lá eles libertam seus devaneios e criam histórias que adquirem formas reais para esse trio. O século, as vestimentas e os costumes eleitos entram nesse clima de fantasia e dão início aos contos que tem como ponto de partida o piar de uma coruja em meio ao silêncio noturno.

No primeiro conto, a trágica história de um homem que nas noites de lua cheia transforma-se em lobisomem e, por isso, sofre com a rejeição de sua esposa. Já o segundo traz, aos moldes da jornada do herói, um rapaz caribenho que enfrenta uma série de provações para casar com a filha do rei do mundo dos mortos. O final do conto quebra a expectativa de quem previa um desfecho padrão. A terceira, quarta e quinta narrativas também recorrem a temas como o amor, mas passam por questões como o desapego aos bens materiais e a honestidade em diferentes reinados e vilarejos.

Todos eles contam com uma das características das animações de Ocelot: bonecos em silhueta. Narizes, penteados e olhares entram em contraste com as cores vibrantes que estão presentes cena a cena. Nos contos passados na África e Tibet, isso fica mais evidente – principalmente neste último em que mandalas e Budas formam um painel detalhado na decoração de um palácio. A música não ficou de fora. Coros celestiais e tambores místicos são envolvidos em uma das histórias.

No filme, cores, silhuetas e música ganham forma artística utilizando a tecnologia como instrumento. Se esteticamente os adultos podem surpreender-se e se entreter com as velhas histórias e com essa produção que contraria a lógica de que o cinema para as crianças deve ser simples, estas podem tirar proveito das discretas lições de vida que circulam por meio das cores e tridimensões – embora a animação ainda soe como se fosse em 2D.



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