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24/10/2011 - 12h05 - Atualizado em 23/05/2012 - 10h17

Entre segredos, mentiras e conflitos mal engendrados

Por Lidyanne Aquino, aluna do 3º ano de Jornalismo

Novo trabalho de Andrew Jarecki recria um misterioso crime americano

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Reprodução
Ryan Gosling e Kirsten Dunst em cena da história
baseada em fatos reais

Cineastas norte-americanos possuem uma afeição especial por casos macabros e sem solução que acontecem no país. Andrew Jarecki, diretor de Entre Segredos e Mentiras, recriou, em um filme perturbador, a história do desaparecimento de Katie Marks (Kirsten Dunst) e do principal suspeito, seu marido David Marks (Ryan Gosling). A obra é baseada em um caso real, que ocorreu entre 1980 e 2000. "David Marks" é um personagem ficcional inspirado em Robert A. Durst, filho de Seymour Durst, profissional da área de bens imobiliários.

O diretor possui predileção por episódios do tipo, fato constatável pelo seu trabalho mais conhecido – o documentário Na Captura dos Friedmans – que aborda a história de uma família de Long Island envolvida em um caso de abuso sexual infantil, na década de 1980.

De forma atípica, a tradução do título de seu novo longa no Brasil supera o original – Entre Segredos e Mentiras corresponde bem à aura misteriosa e polêmica do suposto crime. No original, All Good Things (“Todas as coisas boas”) pode até enganar o espectador, pois remete apenas à pequena loja de alimentos saudáveis aberta pelos recém-casados Katie e David Marks, na pequena cidade de Vermont.

A aparente felicidade do casal é abalada pela insistência do pai de David, Sanford Marks. Ele não aceita a opção do filho e tenta convencê-lo a trocar a boa vida no campo pelos negócios da família em Nova Iork. Vivido por Frank Langella, o ator cumpre bem o seu papel. Se o enredo não se garante, Langella desempenha bem o típico pai autoritário. O aparente trabalho na área de imóveis parece uma opção tranquila, mas a realidade prova-se um pouco mais suja e contraditória.

O novo trabalho do marido parece abalar a relação com Katie. A partir deste ponto, o roteiro começa a apontar os primeiros indícios de fragilidade. Se, até então o diretor parecia fiel aos fatos reais, ele escolhe o enfraquecimento do laço afetivo entre o casal para apresentar sua versão da história. De forma confusa, ele joga os fatos ao longo do filme, que intercala o momento real com o julgamento de Marks mais de 15 anos depois. Na ocasião, ele era acusado de ter assassinado seu vizinho enquanto morava no Texas, passando-se por uma mulher muda.

Com muitas informações em mãos, é evidente a dificuldade de propor um desfecho para cada ponto. E assim, em definitivo, o roteiro não consegue conduzir a história de forma harmoniosa.

A trilha sonora intensifica o clima perturbador do longa. O filme incomoda, cria um suspense em vão. Os créditos sobem e a sensação é de tarefa inacabada –cria-se uma expectativa pelo desfecho para obter uma resposta óbvia e plenamente enviesada.