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29/09/2011 - 13h00 - Atualizado em 22/05/2012 - 16h09

Fuga nem tão atípica ao clichê

Por Lidyanne Aquino, aluna do 3º ano de Jornalismo

“Amizade Colorida”, do diretor Will Gluk, tenta fugir dos clichês do gênero

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Reprodução
Justin Timberlake e Mila Kunis em cena como o
casal que encara a famigerada relação 'sexo 
sem compromisso' 

A típica nova-iorquina descontraída e detentora de múltiplas habilidades, e o característico indivíduo reservado, nascido em Los Angeles. Amizade Colorida, o novo longa de Will Gluk, arquiteta o humor central por meio desse embate de personalidades tão distintas, algo bastante familiar aos norte-americanos. Para tanto, ele não distribui piadas ocasionais, mas concentra o choque de personalidades nas personagens centrais.

Jamie (Mila Kunis) trabalha em Nova Iork como uma caça talentos despojada. Dylan (Justin Timberlake), por sua vez, é diretor de arte de um blog famoso e vive em Los Angeles. Ao descobrir o bom desempenho de Dylan, Jamie o oferece uma proposta de emprego em uma revista masculina, com sede em Nova Iork. Ele reluta, e ela insiste. Pois, caso ele aceite, Jamie adquirirá um bônus.

Tudo começa com uma tentativa espirituosa de convencê-lo dos encantos da Big Apple. No roteiro, inclui-se uma balada a céu aberto e até mesmo um flash mob em plena Times Square. Dylan aceita a vaga. E o rápido contato dos dois desenvolve os primeiros traços de uma amizade que resultaria em um pacto - os dois manteriam relações sexuais, mas sem qualquer forma de envolvimento afetuoso. Apenas sexo, sem sentimentos.

Na tentativa de satirizar os clichês do gênero, o filme cria bons personagens. O humor aparece de forma natural, porém sempre acompanhado de uma ironia. O longa não tira risadas do público com piadas genéricas, pois existe uma tentativa de atribuir um caráter mais inteligente e ao mesmo tempo descontraído aos diálogos.

As figuras centrais da história cumprem bem seu papel como representantes dos estereótipos das suas cidades de origem. E agregam muito bem os valores de pessoas avessas à histórias edificantes – ao menos até a metade do filme. Mas não se deve atribuir toda a graça de Amizade Colorida apenas a eles, quando há personagens secundários capazes de cativar o público com habilidade semelhante.

Patricia Clarkson, já consagrada por bons papéis em comédias, aparece no papel de Lorna, mãe de Jamie. Com rédeas curtas, ela não é o tipo de mãe mais dedicada - e faz seu humor pela personalidade desligada, sempre no mundo da lua. Tommy, interpretado por Woody Harrelson, é um dos personagens mais hilariantes do longa. Ele atua na editoria de esportes da revista, e, apesar da aparente postura rígida, é homossexual e sempre aborda Dylan com tiradas de duplo sentido.

Embora tente correr contra os clichês de comédias românticas por meio da sátira, a inserção do drama no enredo acaba fazendo o caminho de volta. Desta forma, o filme cumpre seu papel como representante do gênero, enquadrando-se com facilidade às características mais recorrentes - personagens engraçados que no fundo guardam dilemas profundos e relacionamentos que se iniciam com uma brincadeira e acabam como algo sério.



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