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28/09/2011 - 11h30 - Atualizado em 23/05/2012 - 13h02

Os limites da confiança

Por Thais Sawada, aluna do 3º ano de Jornalismo

David Schwimmer realiza filme-denúncia que trata de assuntos como assédio sexual e as consequências do uso descuidado da internet

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Reprodução
Clive Owen e Catherine Keener interpretam os
pais de Annie (Liana Liberato), vítima de abuso
sexual

O tema é bem atual: o perigo e a influência da internet sobre os adolescentes e seus desdobramentos e consequências, devido ao acesso irrestrito e sem supervisão. Mais do que isso, o filme Confiar, dirigido por David Schwimmer (o Ross da série Friends) também a sobre o abuso sexual e a pedofilia.

Annie (Liana Liberato) é uma menina inteligente, que possui uma relação bastante tranquila e harmoniosa com a família. É por isso que, em seu aniversário de 14 anos, seus pais, Will (Clive Owen) e Lynn (Catherine Keener), decidem presenteá-la com um computador. A forte relação de confiança existente entre eles faz com que não suspeitem quando Annie conhece Charlie, um garoto de 16 anos, pela internet e passa a conversar diariamente com ele.

A ligação entre os dois se estreita a tal ponto que quando Charlie confessa ter 20 anos, Annie não se importa. Muito pelo contrário, acredita que ele é o único que a compreende perfeitamente bem. Ela desenvolve um afeto tão profundo pelo garoto que também não se abala quando ele diz ter 25 anos e já ser graduado. Apesar de todas as mentiras, ela concorda em encontrá-lo no shopping.

Entretanto, tem um choque quando se depara com um homem bem mais maduro do que o esperado, em torno dos 40 anos. Embora ela hesite e resista em um primeiro momento, Charlie (Chris Henry Coffey) consegue convencê-la a acompanhá-lo, utilizando argumentos de que ele ainda é o mesmo com quem ela vinha conversando todos os dias e que quando o amor é verdadeiro, a idade não importa. Annie por fim cede e vai a um motel com ele.

A partir de então, a família tão bem estruturada começa a ruir. Lynn é atenciosa com a filha, mas Will pensa somente em encontrar o agressor e matá-lo. Enquanto isso, Annie nega ter sido vítima de abuso sexual e culpa o pai pelo sumiço do namorado, Charlie. Will, entretanto, é mostrado também como alguém que se aproveita de jovens - embora em um nível bem diferente do agressor sexual, pois trabalha como publicitário, fazendo a campanha de uma grife de roupas que utiliza imagens de adolescentes vestindo trajes bastante reveladores.

Assim, o drama familiar explora as consequências - tanto na família da menina quanto no próprio psicológico dela - do abuso sofrido por Annie. O filme também levanta a questão sobre os limites que separam o estupro do sexo consensual.

Liberato, em sua primeira interpretação como protagonista sustenta bem o papel, de forma bastante convincente. Não tem como o espectador não se emocionar ao ver o desespero da personagem quando se dá conta de que Charlie não a amava e, portanto, a estuprara.

Em Confiar, Schwimmer faz um filme denso, que cumpre bem o seu intento. Sem mostrar pretensões de encontrar uma solução, a e levanta o debate sobre assuntos atuais, que merecem ser abordados de maneira cuidadosa.



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