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19/09/2011 - 09h44 - Atualizado em 23/05/2012 - 13h24

Cartas para mamãe

Por Fernando Antonialli, aluno do 1º ano de Jornalismo

“Uma Doce Mentira” aposta em humor leve e ingênuo

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Reprodução
Émile, vivida por Audrey Tautou, em posse da carta
anônima que recebe

As comédias românticas de sucesso vêm demonstrando uma fórmula a seguir. Desde o final clichê até o tipo de humor, tudo parece semelhante, salvo alguns momentos de rara originalidade.

Se quer ver piadas sobre a falta de prática de quem tenta arranjar um novo parceiro, as trapalhadas na hora do sexo, ou mesmo o relacionamento aberto que leva ao verdadeiro amor, Uma Doce Mentira é o lugar errado de se procurar. O novo filme do diretor francês Pierre Salvadori apresenta uma história cativante, pautada por um humor ingênuo, que se destaca das produções do gênero.

Émilie (Audrey Tautou), jovem proprietária de um salão de beleza, recebe uma carta de amor anônima. Depois de ler o sentimento expresso em palavras, ela simplesmente joga a correspondência fora, sem saber que está sendo observada por Jean (Sami Bouajila), seu empregado ‘faz tudo’ e também o autor apaixonado. Porém, Émile descobre uma finalidade para carta.

Ela a envia a sua mãe, Maddy (Nathalie Baye), que nunca superou o divórcio com o pai, na esperança que isso lhe devolva a alegria. Essa troca de destinatários irá desenvolver uma série de acontecimentos, mudando a vida de todos envolvidos na história.

As atuações são o ponto alto de Uma Doce Mentira. Audrey Tautou se destaca no papel da atrapalhada Émilie, semelhante a sua consagrada personagem Amélie Poulain, mas com um brilho único. Sami Bouajila também faz um bom trabalho na pele de Jean, o simples empregado que, além de esconder seu amor, camufla uma carreia de sucesso como tradutor da ONU. E Nathalie Baye, a Maddy, interpreta com igual competência a tristeza de uma vida sem amor e a felicidade de descobrir que, de alguma forma, alguém por aí se importa com ela.

Fazendo graça das situações mais inusitadas, sem partir para piadas de apelo sexual, a trama é muito bem construída, fazendo o espectador gostar tanto das pessoas ali representadas que acaba torcendo pelo final clichê. Uma Doce Mentira aparece como alternativa para o grande número de comédias semelhantes produzidas sem parar, e seu humor leve deixa aquele sentimento bom quando sobem os créditos - o comprovante de uma boa comédia.



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