Arte do canal

índice geral



Home / Cultura Geral / Notícias

01/09/2011 - 10h21 - Atualizado em 23/05/2012 - 14h59

Futurismo, tradição e Neo Pop: Oneness

Por Beatriz Viabone, aluna do 1º ano de Jornalismo

As obras de Mariko Mori expostas no Centro Cultural Banco do Brasil convidam o visitante a uma viagem sublime

Compartilhe:


Reprodução
Wave Ufo (1999-2002)

Design, tecnologia e espiritualidade: são essas as características encontradas nas obras de Mariko Mori, expostas desde 20 de agosto no Centro Cultural Banco do Brasil. A artista japonesa exibe sozinha suas obras pela primeira vez no país, com a instalação nomeada Oneness – termo em inglês que significa o conceito budista da plena unidade. Mori faz uso da fotografia, do vídeo e da tecnologia para criar uma obra de vanguarda em impacto físico e visual, aglutinando o que temos de melhor como referência da cultura japonesa: tradição milenar e tecnologia de ponta.

Logo na entrada do CCBB o visitante é tomado pela obra futurista em contraste com a arquitetura do prédio, construído em 1901. A nave, Wave Ufo (1999-2002), pode ser visitada por três pessoas a cada vinte minutos, numa atividade interativa em que eletrodos conectados nas cabeças dos visitantes captam as ondas cerebrais, as quais sincronizadas com um computador são transformadas em formas orgânicas e, por fim, são projetadas no interior do casco da nave. Sem dúvidas é a obra mais atrativa e impactante da mostra, por colocar o visitante como contribuinte da arte, além de proporcionar uma viagem aos próprios pensamentos.

A obra Oneness (2003), que dá nome à exposição, é outra instalação interativa que difere do conceito de arte ao qual estamos acostumados. Seis alienígenas de 135 cm de altura estão em círculo no centro da sala, de mãos dadas. Conforme o grupo de seis visitantes se aproxima dos extraterrestres azuis, a obra ganha vida: ao colocar a mão no centro do peito do boneco, seus olhos se iluminam e o coração começa a pulsar. Conectados por sensores nas mãos, assim que todos os alienígenas são tocados acendem-se as luzes da base, completando a obra numa harmonia que depende do público.

Por serem feitos de um material chamado tecnogel, os bonecos são macios e firmes, como a pele de um ser humano, nos convidando para o descobrimento do tato além do olhar comumente utilizado para apreciar obras de arte. A obra faz alusão à conectividade atual da tecnologia, mas nos lembra que ainda dependemos uns dos outros, principalmente nos pequenos detalhes como um contato primário.

Fazendo uso de uma tecnologia menos inovadora, e nem por isso menos especial, está a obra Empty Dream (1995 – cópia de 2010), um painel formado por seis fotografias que totalizam sete metros de largura. A imagem é uma cena feita no Miyazaki Ocean Dome, maior praia artificial do mundo, localizada no Japão. Mariko Mori usa sua própria imagem de maneira divina num ambiente metafórico, aparecendo quatro vezes como uma sereia azul, fazendo referência a personagens de mangá.

O contexto da exposição Oneness vai muito além de uma arte participativa e fácil de ser observada. Apesar de sua extrema utilização de tecnologia, as obras propõem sensações tão básicas ao ser humano que chegam a ser primitivas. Mori nos lembra que sem as tradições não teríamos chegado ao mundo moderno, que a espiritualidade pouco se transforma e nunca está ausente em nossas vidas. “Eu não estou interessada em usar coisas antigas, mas melhor do que isto, quero conectá-las com a vida contemporânea por meio da tecnologia que temos agora”, lembra a autora.

Algumas instalações fazem alusão ao budismo e ao conceito de Nirvana, que em sânscrito significa “extinção do sofrimento”, um estágio adquirido através da meditação. Imagens circulares representam cada etapa do desenvolvimento interior da harmonia, ou seja, a paz e felicidade na vida dos seres humanos. A confluência entre a união dos seres e o Budismo Zen na obra de arte é como um tipo de missão explicada por Mori. “Meu sentido de obrigação ou responsabilidade em tentar dividir essa experiência de energia transcendental impeliu-me para criar a obra”, explica a artista..

As outras obras de arte que incluem vídeos e desenhos feitos pela artista podem ser visitadas no subsolo, no segundo e no terceiro andar.  A exposição, com curadoria de Nicola Goretti, fica aberta para visitação até 16 de Outubro. A entrada é franca e apenas as obras interativas precisam de retirada de senha com hora marcada na bilheteria.

Oneness
- Mariko Mori

20 Agosto a 16 Outubro
CCBB SP - Centro Cultural Banco do Brasil - Rua Álvares Penteado, nº 112 – Centro
Horário: Terça a domingo, das 10h às 20h
Entrada franca



Comentários Comentários Postados
Comentários Envie o seu comentário

Caro leitor, esse espaço foi criado para que você opine e discuta a matéria que acabou de ler

Cada comentário comporta no máximo 600 caracteres.

Os comentários devem se ater ao texto publicado.

Mensagens ofensivas, provocativas ou que contenham palavras de baixo calão serã excluídas.

restam caracteres.