Arte do canal

índice geral



Home / Cultura Geral / Notícias

26/08/2011 - 17h55 - Atualizado em 23/05/2012 - 14h54

Os 12 Trabalhos encerra o 9º Ciclo de Cinema de Cultura Geral

Por Amanda Garcia, aluna do 1º ano de Jornalismo

Discussão após a exibição do filme falou sobre negros, motoboys e preconceito

Compartilhe:


Norberto Iovasso Júnior
Da esquerda para a direita: Marcelo Rosa, Rodrigo
Esteves, Francisco Nunes e Runan Conceição

Fechando o 9º Ciclo de Cinema de Cultura Geral, que aconteceu entre os dias 22 e 26 deste mês, ocorreu a exibição do filme Os 12 Trabalhos (2007), do diretor Ricardo Elias. O foco da película é a dificuldade de reinserção de um garoto infrator na sociedade, tendo como agravante sua cor de pele. Ele busca uma posição digna dentro desse corpo social tentando vencer a falta de perspectiva a que transgressores geralmente estão fadados. Como o protagonista Heracles explica, “dependendo de onde você nasceu, já é, tua história já tá escrita antes mesmo de ela começar”. É contra esse determinismo, depois de tê-lo provado, que o protagonista luta .        

Tendo como sede o auditório Aloysio Biondi na Faculdade Cásper Líbero, sempre iniciando às 12h30, o Ciclo pôs em destaque o papel que o negro brasileiro desempenhou em várias épocas e como aconteceu a evolução de sua figura em meio à sociedade, sendo retratado por cineastas igualmente brasileiros.  Compuseram a mesa de debate do quinto dia os docentes Francisco Nunes, Rodrigo Esteves e Marcelo Rosa, além  do aluno Runan Conceição, do 3º ano de jornalismo.

Os 12 Trabalhos    

Saído da FEBEM há pouco tempo, o garoto Heracles (Sidney Santiago), de nome que faz paralelo com Hércules, herói da mitologia grega, quer agora um emprego e, ajudado por seu primo, consegue uma vaga de motoboy.

Entretanto, há um porém para que esse emprego seja realmente seu: ele deve conseguir cumprir os doze trabalhos ou, melhor dizendo, as doze barreiras que se colocarão em seu caminho. Há uma mostra do que se compõe o dia a dia frenético dessa profissão e certamente, depois do filme, passamos a vê-los de maneira diferente. A história se desenrola nesse âmbito e, ao que parece, o décimo terceiro obstáculo para ele é a cor de sua pele.                                     

O debate

No início do debate, abrindo ao tocante dos preconceitos, o professor Marcelo levantou questões sobre os profissionais que convivem conosco e se tornam quase invisíveis “não porque não são vistos, mas porque nos recusamos vê-los e, dessa forma, os tratamos indiferentemente”. Para o debatedor, um exemplo forte disso é o motoboy, que muitas das vezes não é tratado como humano, mas sim, como uma máquina de entregas.                             

Por sua vez, Esteves ressaltou a característica de honra do protagonista, que se mostra como “ponta firme”, ajudando os amigos e não denunciando seus parceiros de crimes no passado. Mesmo tendo tido em sua vida inteira condições subumanas, afirmou Esteves, “Heracles quer sobreviver e não ser julgado; e ele é julgado a todo momento”, seja por sua profissão, seja por sua pele. Ambos os preconceitos acabam por se fundir e se confundir durante o filme.

Outro ponto chave colocado por ele foi de que Heracles começa a tomar consciência de si mesmo durante os doze trabalhos: “A cada trabalho que ele faz aprende um sentimento diferente. Aprende a driblar o preconceito e a burocracia.” Há uma constante sensação de estrangeirismo, pois ele não se sente motoboy, mas também não se sente bandido. 

O professor Francisco levou a debate a Ideologia do Branqueamento, ou seja, o conceito de que tudo o que é bem aceito é branco, levando muitos negros a renegarem sua cor de pele. Já Runan completou com a necessidade de uma maior discussão da questão, lembrando dos filmes Madame Satã e Xica da Silva, ambos exibidos no Ciclo, que mostram a grande desigualdade enfrentada pelo negro desde os tempos da escravidão e que ainda perdura.



Comentários Comentários Postados
Comentários Envie o seu comentário

Caro leitor, esse espaço foi criado para que você opine e discuta a matéria que acabou de ler

Cada comentário comporta no máximo 600 caracteres.

Os comentários devem se ater ao texto publicado.

Mensagens ofensivas, provocativas ou que contenham palavras de baixo calão serã excluídas.

restam caracteres.