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25/08/2011 - 20h41 - Atualizado em 14/05/2012 - 08h21

9º Ciclo de Cinema de Cultura Geral exibe Xica da Silva em sua penúltima sessão

Por Talula Mel, aluna do 1º ano de Jornalismo


Longa de Cacá Diegues incitou discussões sobre a representação da mulher negra nos filmes e novelas brasileiros

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Mateus Lemos
A aluna Maitê Freitas fala ao lado dos professores
Adalton Diniz e Sabina Anzuategui

“A imperatriz do Tijuco / A dona de Diamantina / Morava com a sua corte / Cercada de belas mucamas...”. Assim Jorge Ben começa a descrever Xica da Silva, protagonista do filme homônimo apresentado hoje no 9º Ciclo de Cinema de Cultura Geral. Na mesa debatedora, estiveram presentes os professores Sabina Anzuategui e Adalton Diniz, acompanhados da aluna do 4º ano de Jornalismo Maitê Freitas.

O filme foi dirigido por Cacá Diegues em 1976, durante um período de efervescência no cinema brasileiro. Segundo a professora Sabina Anzuategui, foram nesses anos que alguns cineastas ligados ao cinema novo e aos movimentos estudantis ganharam um pouco mais de espaço para produzir filmes com embasamento político e social, mas sem deixar de lado o diálogo com o grande público.

A produção trouxe à tona importantes pontos a serem debatidos, como a construção das personagens negras no cinema e nas telenovelas atuais, bem como as características das vanguardas culturais brasileiras, o sentimento revolucionário presente na esquerda da época e os estereótipos que até hoje são mantidos com a ajuda da grande mídia.

Sabina apontou as representações simbólicas que estão em torno da persongem principal, vivida por Zezé Motta:.“natureza, esperteza e vigor são características marcantes de Xica da Silva e, não por acaso, também caracterizam o povo brasileiro”. A personagem ainda ressalta uma mensagem importante, mas que não está explícita no filme: “não adianta ser apenas vital e esperto, existe um poder maior que, embora pareça ineficiente, é muito mais forte do que queremos acreditar”. Essa mensagem tem tudo a ver com o envolvimento político e ideológico do diretor no período em que o filme é gravado.

Na primeira parte do filme, Xica da Silva passa a maior parte do tempo indiciando sua sensualidade, usando roupas e acessórios coloridos. Maitê discutiu essa representação do negro no cinema e na televisão. A insistência nos personagens eróticos, com forte apelo sexual e muitas vezes até primitivo, é algo que ainda não foi devidamente problematizado, a ponto de ser discutido com seriedade pela população. O papel da mucama na história do Brasil foi outro ponto levantado no debate, com uma comparação entre a relação senhor-escrava no período colonial e suas adaptações para a relação patrão-empregada doméstica nos dias de hoje.

O filme levantou diversas questões a serem pensadas. A conversa a partir do tema do Ciclo, O Negro Brasileiro, deu margem a outras discussões importantes que, como lembrou Maitê, ainda precisam ser problematizadas para serem debatidas.

Os 12 Trabalhos encerra amanhã o 9º Ciclo de Cinema de Cultura Geral. Após a exibição, os professores Francisco Nunes, Rodrigo Esteves e Marcelo Rosa discutirão a obra ao lado do aluno Runan Conceição.



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