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11/08/2011 - 10h01 - Atualizado em 19/05/2012 - 11h39

Exuberância para iniciados

Por Rodrigo Oliveira, Editor do site

Em "A Árvore da Vida", Terrence Malick exibe mais uma vez a magnitude de seu trabalho

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Reprodução
Brad Pitt na pele do severo pai, repreendendo o
filho perante a esposa pacífica e submissa,
encarnada por Jessica Chastain

Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, A Árvore da Vida chega aos cinemas com a missão de fazer jus ao prêmio recebido. Terrence Malick, por si só, já é um bom motivo para encarar uma sessão que nos permite usufruir de uma obra extremamente sensorial, que trata de questões como o limiar entre a vida e a morte amparada pela religião.

Qual a divindade capaz de amainar a nossa ansiedade e desespero diante de uma vida insólita? Malick parte deste questionamento para formatar a história de um homem que revive o passado, marcado pela morte de um dos irmãos e pela severidade do pai.

Já adulto, Jack (Sean Penn) esmiúça as lembranças de sua infância e os instantes vividos ao lado da família em uma cidadezinha do Texas, na década de 1950. Jessica Chastain dá vida a Sra. OBrien, uma doce dona de casa preocupada com os afazeres domésticos que se esquece de aplicar disciplina ao cotidiano dos filhos. Por sua vez, Brad Pitt interpreta o chefe da família, um pai déspota e autoritário, responsável pelo acúmulo de ressentimentos de Jack, o filho mais velho e mais exigido.

O diretor foge do convencional, trabalhando com imagens que sintetizam o surgimento da vida. O espaço e o dinamismo de seus planetas, dinossauros e outras espécies de antanho representam o início de tudo. A montagem evidencia que Malick optou por saldar a vida dessa maneira, isto é, expondo belíssimas ações da origem do universo.

Na obra, o retrato do extremo é recorrente, mostrando ao espectador o vínculo direto entre o ontem e o hoje, a infância e a fase adulta e, principalmente, a ligação entre o mundano e o sagrado.

Um bom exemplo é a inocência de Jack aos 11 anos, que se digladia com a sua inadequação na vida adulta, perante um injusto mundo moderno que não o acolhe.

As atitudes cometidas por Sr. OBrien (Pitt) expõem as suas falhas como ser humano suscetível a erros, ao mesmo tempo em que a vida da família é calcada pelos preceitos da religião. Esta, tão presente no tratamento da mãe com seus filhos e pelas breves orações nos instantes das refeições, ou seja, mais um momento que o longa trabalha com os opostos. 

Não restam dúvidas do colossal esmero de Terrence Malick. A montagem, um dos pontos mais atraentes do filme, levou dois anos para ser concluída e prima por não seguir uma narrativa muito bem definida, escapando da linearidade que impediria uma interpretação mais apurada do público. Assim, leva ao desfrute pleno do momento de fruição, pois a película exige um pouco mais dos acostumados com a obviedade dos filmes “pipoca”.

A performance dos atores envereda pelo naturalismo. A maneira adotada por Malick ao dirigi-los auxiliou no resultado final, pois além de tecer uma obra de beleza inigualável, conseguiu manter o elenco sob vigilância, extraindo o melhor dos atores ao seu modo.

Aos habituados ao cinema de Malick, um prévio aviso: A Árvore da Vida é um filme para iniciados e, assim como os seus outros poucos - mas brilhantes - longas, é uma experiência única. A obra não deve ser unanimidade entre os espectadores, mas, neste caso, a máxima de que toda unanimidade é burra aplica-se perfeitamente.



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