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26/07/2011 - 14h35 - Atualizado em 21/05/2012 - 12h06

Grandes musicais nunca morrem

Por Gustavo Nárlir, aluno do 3º ano de Jornalismo

A magia dos grandes clássicos faz com que eles sejam eternos e tragam sempre um novo olhar para a música e a dança que move seus personagens

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Reprodução
Julie Andrews e Liza Minelli em cena dos
clássicos A Noviça Rebelde e Cabaret.
Abaixo, o ator e diretor Gene Kelly e John
Travolta em sua fase galã

O filme começa. A música, aos poucos, vai se intensificando. Na tela, as imagens panorâmicas de uma cidade da Áustria. As árvores, a natureza. Os minutos passam e, ao fundo, é possível ver uma montanha. Nela, uma mulher, de braços abertos, sorrindo. Ela canta.

Assim começa um dos musicais mais acolhidos pelo público até hoje: A Noviça Rebelde (1965). Vencedor do Oscar de Melhor Filme, narra a história de Maria (Julie Andrews), uma jovem que pretende se tornar freira e dedicar a sua vida à igreja católica. No entanto, ao ser enviada para cuidar de sete crianças, acaba descobrindo o amor nos braços do capitão Von Trapp (Christopher Plummer). A princípio, não é possível compreender como uma proposta aparentemente simples pode ser encantadora. Talvez seja pelo poder da música, que muitas vezes acaba sendo o fator determinante para o sucesso de um filme.

Além de A Noviça Rebelde, o mesmo aconteceu com outras adaptações teatrais, que já eram conhecidas pelo grande público e se consolidaram definitivamente como longas-metragens. É o caso de My Fair Lady (1964), que trouxe como protagonista a carismática Audrey Hepburn, Amor, Sublime Amor (1961) e Sweet Charity (1969), que foi o filme que apresentou Bob Fosse ao cinema.

O coreógrafo de peças da Broadway se tornou lendário e chegou a ser premiado com o Oscar de Melhor Diretor por Cabaret (1972), com Liza Minelli, que basicamente cresceu respirando música e cinema, por ser filha da atriz e cantora Judy Garland, lembrada até hoje por performances em clássicos como O Mágico de Oz (1939), dirigida por Victor Fleming, e Nasce uma Estrela (1954), que terá no ano que vem a sua quarta versão sob o comando de Clint Eastwood.

Liza também sempre teve como referência o seu pai, Vincent Minelli, que foi o responsável por um dos melhores filmes do ícone Gene Kelly: o musical Sinfonia de Paris (1952). Ele também dirigiu longas premiados pela academia como Gigi (1959) e A Roda da Fortuna (1953), protagonizado pelo eterno Fred Astaire.

Parcerias de sucesso

Ainda que Gene Kelly tenha atuado em dezenas de produções, um deles se tornou um marco em sua vida e na história do cinema. Depois de conversas com o coreógrafo da Broadway, Stanley Donen, decidiu tornar realidade um projeto que conseguiria reutilizar e mesclar materiais de outros filmes, como a música título, retirada do filme Hollywood Revue of 1929 (1929).

Cantando na Chuva (1952) faz, antes de tudo, uma paródia do momento de transição do cinema mudo para o falado. Belas atrizes que se sustentavam apenas por expressões faciais teriam que incorporar à atuação a própria voz. E esse é um dilema enfrentado pela personagem Lina Lamont (Jean Hagen), que tem de ser dublada por Kathy Selden (Debbie Reynolds).

Além de Donen e Kelly, que também fizeram outras produções como Um Dia em Nova Iorque (primeiro musical filmado em locação, em 1949), muitas outras duplas foram responsáveis por eternos clássicos. Os compositores Rodgers e Hammerstein talvez sejam um dos melhores exemplos. Reconhecidos pelo grande trabalho composto para o teatro, tiveram várias peças adaptadas para o cinema, como O Rei e Eu (1956), Ao Sul do Pacífico (1958), Oklahoma (1955) e o já citado A Noviça Rebelde (1965).

O renascimento dos grandes musicais

No início dos anos 1970, os filmes musicais já não agradavam tanto as plateias e os críticos. Grandes diretores, como Billy Wilder, chegaram a ser mal compreendidos por dirigir longas cantados como Irma La Douce (1963). A sociedade havia se transformado e uma nova geração de cineastas começava a dominar Hollywood. O público desejava um retrato mais fiel da realidade e histórias com esse padrão alcançaram o sucesso ao redor do mundo, ainda que a qualidade não fosse privilegiada em certos casos.

Foi isso que transformou John Travolta em um ícone dos musicais com Os Embalos de Sábado à Noite (1977). Embalado pela trilha do grupo Bee Gees, conseguiu reproduzir os anseios dos jovens americanos que encontravam um refúgio no fim de semana na pista das discotecas.

E foi também da década de 1970 que foi lançado o musical mais bem-sucedido da história do cinema: Grease - Nos Tempos da Brilhantina (1978). Com o baixo orçamento de US$ 6 milhões, ultrapassou os US$ 360 milhões na arrecadação da bilheteria e imortalizou canções como Summer Nights e You’re The One That I One, cantadas até hoje em bailes de formatura.

Nos anos 80, veio a última leva de musicais inocentes e, por isso mesmo, sem roteiros muito coerentes. Entre eles, Xanadu (1980), - último filme de Gene Kelly - Footloose (1984), Flashdance (1983) e Dirty Dancing (1987). Diante disso, ainda é preciso achar uma resposta sobre o que torna um grande sucesso filmes repletos de música. Uma dança na chuva, uma briga de gangues, um jovem nas baladas de Nova Iorque, uma noviça rebelde. Afinal, qual é o principal ingrediente de um musical inesquecível?



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