Os principais musicais que invadiram as telonas nos últimos anos
Cada musical tem, por assim dizer, sua carta na manga. Trilhas sonoras populares, elenco repleto de estrelas supervalorizadas, enredo cativante, etc. E tanto os filmes musicais de antigamente quanto os de hoje carregam fórmulas que, de algum modo, acabaram se tornando vítimas dos clichês sobre os quais tantos críticos reclamam.
Atualmente, são poucas as produções do gênero que foram consideradas realmente boas, tanto pelo público quanto pela crítica. E isso nos faz questionar a qualidade dos musicais contemporâneos quando colocados lado a lado com os filmes de antigamente. Mas, afinal, será que compará-los é realmente possível?
O estilo cabaré
Um dos longas que mais recorda os antigos espetáculos é Chicago (2002), um musical norte-americano de teor altamente cômico e sensual, dirigido por Rob Marshall. As músicas lembram o estilo cabaré, muito popular durante a Belle Époque francesa, quando os burgueses se divertiam ao assistir shows que uniam a cultura erudita aos elementos das classes mais baixas.
O elenco conta com presenças célebres de Reneé Zellweger, Catherine Zeta-Jones, Queen Latifah e Richard Gere. A história se passa na década de 1920, e gira em torno de Roxie Hart (Zellweger), uma jovem que sonhava em ser celebridade, o que a fazia admirar os espetáculos da dançarina Velma Kelly (Zeta-Jones), um ídolo das danças de cabaré. Esse sonho a acompanha até quando ambas se encontram numa situação mais que inusitada: a cadeia.
Além do enredo, as canções do filme são quase todas originais do espetáculo teatral homônimo, com a exceção de I Move On, interpretada pelas personagens Hart e Kelly.
Outro filme, semelhante a Chicago nas cenas típicas dos cabarés, mas com um teor mais dramático e romântico, é Moulin Rouge (2001), dirigido por Baz Luhrmann.
O ano é 1899, e Christian (Ewan McGregor), um jovem poeta, decide se aventurar por Paris numa tentativa de desafiar o próprio pai. O mesmo acaba encontrando um grupo bastante heterogêneo de rapazes, todos com algo em comum: o amor pelo glamoroso clube noturno Moulin Rouge. E é exatamente neste estabelecimento que Christian se apaixona pela garota mais popular do lugar, Satine (Nicole Kidman), uma cortesã de beleza extraordinária.
A trilha sonora de Moulin Rouge é repleta de canções bastante populares, como Like a Virgin e Material Girl, de Madonna. Mas uma música que ganhou grande repercussão e até videoclipe próprio foi Lady Marmalade, que fez parte de um medley do longa em sua versão original, e teve uma versão cover lançada adicionalmente, interpretada por Christina Aguilera, Lil’ Kim, P!nk e Mya (e com participação de Missy Elliott).
As comédias românticas
Mas, enquanto alguns musicais remetem a épocas que poucos de seus fãs acompanharam, outros fazem questão de retratar o exato momento em que foram criados. É o caso da maior franquia musical já conhecida pelos jovens de hoje, o sucesso High School Musical (2006), dirigido por Kenny Ortega, que graças ao êxito alcançado ganhou duas continuações: High School Musical 2 (2007), e High School Musical 3: O Ano da Formatura (2008).
Foi a primeira trilogia do canal Disney Channel, e não só rendeu números absurdos de bilheteria como se tornou, oficialmente, o maior sucesso produzido pela Disney Channel Original Movie. HSM serviu de estreia para um dos casais favoritos da América, Zac Efron e Vanessa Hudgens, além de outra jovem que também saiu em carreira solo posteriormente, Ashley Tisdale.
O enredo é praticamente todo cantado, seguindo uma linha que talvez seja bem descrita como uma “comédia romântica infanto-juvenil” tipicamente americana. Além dos longas, esta franquia também lucrou com a venda de diversas versões em CDs, DVDs, além de uma turnê chamada High School Musical: The Concert, que passou por 40 países entre 2006 e 2007.
Ainda seguindo a linha de comédia romântica, temos mais dois musicais de grande repercussão. Um deles, também estrelado por Zac Efron, se passa em 1962. O filme Hairspray (2007), dirigido por Adam Shankman, trata de assuntos bastante atuais como segregação racial e bullying que a protagonista sofre por estar acima do peso. Tracy Turnblad (Nikki Blonsky), tem o sonho de se tornar uma das dançarinas de seu programa favorito, The Corny Collins Show, uma atração de dança que acaba por entreter jovens de todas as idades.
O elenco está repleto de nomes conhecidos como o de Christopher Walken (Wilbur Turnblad), Queen Latifah (Motormouth Maybelle) e John Travolta, travestido como Edna Turnblad, mãe de Tracy e mulher cheia de problemas de auto-estima por causa de seu peso.
Mais uma adaptação do teatro para o cinema, o musical Mamma Mia! (2008), dirigido por Phyllida Lloyd, é uma comédia romântica com um diferencial: . possui somente números musicais do grupo sueco ABBA. O filme conta com a presença inacreditavelmente rejuvenescida de Meryl Streep, no papel da mãe solteira Donna Sheridan, que guarda um segredo que trará muita confusão e comicidade à história.
O longa venceu o National Movie Awards 2008, nas categorias de Melhor Filme Musical e Melhor Atriz (Meryl Streep). Um dos elementos que torna o longa mais interessante é o cenário: a ilha grega de Skopelos.
O gênero dramático
No entanto, nos musicais nem tudo são flores. Existem diversos filmes que fogem desta linha, e partem para os mais diversos gêneros. É o caso, por exemplo, de O Fantasma da Ópera (2004), de Joel Schumacher. Este drama musical conta com uma teia de acontecimentos envolventes que unem suspense e conflitos pessoais das personagens.
Um teatro serve de lar para uma suposta assombração, e é neste ambiente que a jovem Christine (Emmy Rossum) encena a ópera II Muto. Mas seu papel neste espetáculo é apenas possível devido à intervenção do Fantasma (Gerard Butler).
Durante todo o longa, o triângulo amoroso entre o Fantasma, Christine e seu amado, Raoul (Patrick Wilson) é delicado e até mesmo incômodo, devido ao fato da jovem tentar fugir do mascarado para ficar com Raoul, o que desperta a sua fúria e o faz tramar um plano para levar Christine consigo até seu esconderijo.
A trilha sonora é mundialmente conhecida, especialmente a música homônima ao filme, The Phantom of the Opera.
Dirigido por Bill Condon, Dreamgirls (2006) foi outro drama musical que ganhou espaço nos cinemas, adaptado da produção da Broadway, de 1981. Beyoncé Knowles, Jamie Foxx, Eddie Murphy e Danny Glover e a vencedora do Oscar, Jennifer Hudson, por seu papel no longa, encabeçam o elenco. Na história, há diversas referências às trajetórias de artistas da gravadora Motown Records.
Encerrando a seção de dramas, temos um filme pouco divulgado e, consequentemente, uma raridade entre as listas dos musicais lançados nos últimos anos: Rent (2005), dirigido por Chris Columbus. O longa expõe uma realidade crua e honesta ao retratar a vida de boêmios da década de 80. Seus protagonistas são os colegas de quarto Mark (Anthony Rapp) e Roger (Adam Pascal), que passam por diversos problemas junto a um grupo de amigos. A obra mostra a passagem de um ano completo na vida destes personagens.
Tim Burton: um caso à parte
Mas, dramas à parte, é claro que não podemos esquecer das excentricidades de Tim Burton, o diretor macabro mais popular. Ele dirigiu um musical que foi considerado pela maioria dos críticos um grande fiasco, mas que conquistou um público e tanto: Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (2007) é um suspense musical situado em Londres.
O diretor trabalha com os seus atores ‘fetiche’, habituais. Johnny Depp interpreta o barbeiro Benjamin Barker (que posteriormente adota o nome de Sweeney Todd) e Helena Bonham-Carter, a Senhora Lovett.
Todd retorna a Londres após anos em confinamento para se vingar de seu maior inimigo, o homem que se casou com sua esposa depois de conseguir exilá-lo do país, o juiz Turpin (Alan Rickman). Chegando lá, ele se depara com a possibilidade de encontrar sua filha Johanna (Jayne Wisener) presa na casa do juiz.
O filme é repleto de canções sinistras e cenas de suspense e terror, além do cenário cinzento presente o tempo todo. Apesar das críticas, recebeu o Oscar de melhor direção de arte e o Globo de Ouro de Melhor Filme Musical e Melhor para Johnny Depp.
Muitos são os sucessos musicais lançados de alguns anos para cá, e a maioria deles é derivada de espetáculos anteriormente apresentados nos palcos teatrais. Mas, como questionado no início, talvez seja impossível comparar os musicais contemporâneos com os clássicos. As histórias, os recursos, tudo mudou. Somente uma coisa permanece a mesma e há de se destacar sempre: a paixão pela música.
Comentários Postados
Envie o seu comentário
Caro leitor, esse espaço foi criado para que você opine e discuta a matéria que acabou de ler
Cada comentário comporta no máximo 600 caracteres.
Os comentários devem se ater ao texto publicado.
Mensagens ofensivas, provocativas ou que contenham palavras de baixo calão serã excluídas.