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11/07/2011 - 18h50 - Atualizado em 22/05/2012 - 03h04

Vivendo em Hogwarts

Por Camila Smid, aluna do 1º ano de Publicidade e Propaganda

Fãs de Harry Potter fazem da vida real uma extensão do fantástico mundo dos bruxos

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Gabriela Colicigno

Draco (Camila Smid) e Lúcio Malfoy (André de Paula),
acompanhados pela Profa. Sibila Trelawney (Marcia
Regina Fasano) e Olho-Tonto Moody (Attilio Fasano)

Lá se vai mais um ano, e a espera pela estreia do último longa da saga, Harry Potter e As Relíquias da Morte - Parte 2, em 15 de julho - fica cada vez mais angustiante para todos os fãs. Não só devido à sensação de que a infância deles está indo embora com a adaptação das últimas páginas da história de seus heróis prediletos, mas também por outro fator: os Cosplays.

Para quem não conhece, Cosplay é a roupa que alguém usa para representar um personagem que já existe na ficção. No caso dos pottermaníacos, jovens de todo mundo se empenharam em conseguir longas capas pretas, gravatas coloridas, camisas brancas bem passadas e até mesmo varinhas. Tudo isso para alcançar a perfeição na hora de se vestir como um legítimo aluno de Hogwarts.

Em 19 de junho, os organizadores da Convenção PotterSampa promoveram o Baile de Inverno, ambos no Centro de Ensino FAMESP, em São Paulo. Estiveram lá os mais diversos tipos de personagens e uniformes - desde um Professor Snape com as peças de roupa idênticas às do filme, até uma Hermione Granger com um vestido de gala azul, deixando claro para quem perguntasse que ela "queria ser fiel ao livro, e não ao filme".

Diversas versões diferentes das personagens podiam ser vistas -  muitos jovens de óculos redondos e cicatrizes como as do próprio Harry Potter, e até mesmo três versões da personagem secundária, mãe do vilão-mirim Draco, Narcisa Malfoy.

E foi justamente uma dessas versões de Narcisa, vivida pela estudante Drielly* quem ganhou o Concurso Livre de Cosplayers em grupo promovido no evento. Acompanhada do “esposo” Lúcio Malfoy (André de Paula) e de um Draco (Camila Smid) bem menos ameaçador do que o original , Drielly disse que “talento vem da família”.

O Concurso Livre dá aos convidados a chance de representar seus personagens de forma mais caricata ou até humorística, sem que sejam realistas em relação à história original. Há também o Concurso Individual Livre, o qual exige que a pessoa interprete sozinha uma versão inovadora de sua personagem. Nessa categoria, venceu a Professora Trelawney, Marcia Regina Fasano.

Houve ainda mais concursos, como o de Cosplayer Individual Canon, que premiava quem conseguisse ser mais fiel ao personagem durante sua apresentação no palco, e o de Cosplayer Grupo Canon, que premiava o grupo ou a dupla que mais se aproximasse da história oficial.

O vencedor do individual foi o mesmo Draco Malfoy que subira em palco com a familia, com a interpretação  da única cena em que o personagem aparece sozinho nos filmes, qual. Já na categoria “Grupo”, venceu a dupla Pedro Colicigni e Marcela Gardim, com a encenação da primeira discussão entre Ron Weasley e Hermione Granger nos filmes.

Quando questionados sobre sua relação com os  Cosplays, os jovens geralmente respondem de forma muito semelhante: o amor pela obra de J. K. Rowling desde muito cedo, que os leva a confeccionar as próprias roupas, ou comprá-las quando podem. É o caso dos irmãos Laila e Ivan Lopes, que foram ao evento caracterizados, respectivamente, de Luna Lovegood e de seu pai, Xenophilius Lovegood.

Quem compra, conta: a internet é a arma secreta de qualquer Cosplayer. Eles encontram na rede os mais diversos e raros acessórios, bem como  roupas inusitadas e até mesmo tutoriais que ensinam a reproduzir os personagens com precisão de detalhes. Foi o que aconteceu com a estudante universitária Nataly Lopez, que desde o ano passado encarna a vilã Bellatrix Lestrange: “foi divertido, peguei algumas roupas em casa e simplesmente fui improvisando”.

Muitos fazem questão de assistir a cada estreia portando a fantasia completa. No entanto, há quem diga que a roupa não é uma fantasia, mas sim um uniforme -, o que os impede de usá-las em festas de Halloween, por exemplo, Nataly não vai abandonar seu Cosplay após 15 de julho. “Quero continuar depois do lançamento do ultimo filme”, conta a estudante. “Sempre fui ansiosa pelo próximo filme, pelo próximo livro - realmente marcou minha infância. É algo que não pode ser esquecido, e deve ser levado a sério por gerações e gerações”.

Uma coisa é fato: a julgar pelo público da PotterSampa e do Baile de Inverno, o final dos filmes não irá impedir que muitos fãs, assim como Nataly, continuem realizando suas convenções, vestindo seus uniformes e praticando essa interessante arte de unir pessoas em torno do amor por Harry Potter.

 

*A reportagem e os organizadores da PotterSampa não conseguiram identificar o sobrenome da garota.



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