Depois de se tornar a série mais longa do cinema em números de filmes, “Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2” prova que quantidade pode ser sinônimo de qualidade
O conhecimento de que estaríamos vendo o logotipo da Warner Bros surgindo de um céu nebuloso nos cinemas pela última vez contribuiu para amarrar mais do que o comum a atenção dos críticos e fãs presentes na cabine de imprensa de Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2. Assim como a música-tema que acompanhou a série ao longo de dez anos manteve vivo, do começo ao fim da exibição, o sentimento de que um marco de toda uma geração acabaria dentro de instantes.
Podemos abreviar as duas horas e dez minutos do filme, sim, em instantes. O fato de a ação do sétimo livro de J. K. Rowling ter se concentrado na segunda parte da divisão do filme entretém a ponto do espectador não perceber o tempo real de duração (130 minutos). Mas não é só a ação constante que faz o último filme do bruxo mais famoso do cinema ser o melhor da série: a luta interna de Harry, interpretado por Daniel Radcliffe, em reunir forças para realizar a tarefa deixada por Dumbledore (Michael Gambon) se encarrega da emoção esperada na conclusão épica. Vale ressaltar que Daniel teve sua melhor atuação em toda a série.
Neste filme, Harry, com a ajuda de seus melhores amigos, Rony (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson), procura e pretende destruir as últimas Horcruxes, objetos mágicos nos quais o vilão Lord Voldemort (Ralph Fiennes) guardou pedaços de sua alma. Tendo as partes restantes de Voldemort destruídas, Harry estará mais preparado para enfrentar pessoalmente o bruxo mais temido das telonas.
A primeira parte de As Relíquias da Morte funcionou como uma pausa que prenunciava o derradeiro fim, concentrando-se na busca de Harry pelas Horcruxes e o conhecimento do que eram as relíquias. Estas são três elementos mágicos que tornam quem os possui o Senhor da Morte. Na segunda parte, além da busca pelos objetos, o protagonista ganha a ajuda de peso de seus amigos e professores da escola de magia de Hogwarts. Destaque para o colega Neville Longbottom (Matthew Lewis) e a professora McGonagall (Maggie Smith), que tiveram seus papéis elevados e conseguiram passar momentos de humor em meio ao cenário de guerra.
Os flashbacks sempre foram bem explorados por David Yates, que assumiu a direção da saga em Harry Potter e a Ordem da Fênix, e esta habilidade do diretor se repete no oitavo filme. As simples lembranças dos personagens têm forte papel na trama; convenhamos que relembrar algumas cenas do trio principal na infância é uma jogada de mestre dos produtores para levar os fãs a uma viagem memorável aos primeiros filmes e adicionar mais emoção.
No quesito atuação, Alan Rickman, que interpreta o misterioso professor Snape, merece todas as honras da categoria: é impressionante a capacidade que ele teve de despertar, ao longo da série, o sentimento de ódio e nesta última etapa, surpreender os espectadores. E essa proeza Rickman consegue com expressões faciais cruas e típicas, papel que dificilmente outro ator interpretaria de forma melhor.
Por estes e outros motivos, incluindo a trilha sonora convincente de Alexandre Desplat, os efeitos especiais sofisticados para se enquadrarem na estreia em 3D e a presença marcante do exército de Voldemort no longa-metragem, Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2 coloca não um seco ponto final na série mais duradoura do cinema, mas sim um ponto de exclamação. Este, seguido por uma sincera nota de rodapé: ao contrário do que almejava Voldemort, o “garoto que sobreviveu” definitivamente não veio para morrer.
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