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02/06/2011 - 13h13 - Atualizado em 15/05/2012 - 09h14

Os últimos serão os primeiros

Por Fernando Antonialli, aluno do 2º ano de Jornalismo

“X-Men: Primeira Classe” reduz cenas de ação e fortalece o enredo, acertando na receita

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Reprodução
Quinto filme da franquia conta com nomes como
Kevin Bacon, James McAvoy e a indicada ao Oscar
Jennifer Lawrence

Todo fã de filmes de ação ou de histórias em quadrinhos já deve ter se deparado com uma das adaptações para o cinema de X-Men. Nesses filmes, somos inseridos em um mundo onde pessoas com poderes extraordinários vivem entre nós. Porém, as relações entre os mutantes e os humanos são tensas. O medo do novo e do desconhecido leva os homens comuns a combater essa nova espécie, gerando conflitos e ódio.

Aos mutantes, cabe a escolha entre dois grupos: os X-Men, de Charles Xavier (ou Professor X), que acreditam na coexistência pacífica ou a Irmandade Mutante, de Erik Lehnsherr (ou Magneto), a qual diz que apenas uma espécie irá sobreviver.

Mas como se formou essa situação, de onde vieram essas equipes e por que elas defendem determinados ideais? Essas questões são explicadas em X-Men: Primeira Classe, quinto filme da franquia e primeiro a tratar mais diretamente da questão escondida por trás dos confrontos: a aceitação.

O longa começa apresentando os dois personagens que, no futuro, serão representantes de pontos de vista antagônicos. Vindo de uma rica família, Charles Xavier (James McAvoy) se tornou um brilhante estudante de genética formado em Oxford. Além de si próprio, conhece apenas outro mutante, sua amiga de infância, Raven, que graças ao seu poder de transfiguração consegue esconder a cor azul de sua pele.

Já Erik Lahnsherr (Michael Fassbender) enfrenta uma realidade mais dura. Levado a Auschwitz ainda jovem, é usado como cobaia pelo Dr. Schmidt (Kevin Bacon), que pretende desenvolver, a qualquer custo, os poderes mutantes do garoto. Já adulto, Erik tenta vingar-se  do doutor que destruiu sua vida.

O filme mostra as primeiras reações que os jovens mutantes têm ao descobrir seus poderes. Xavier e Erik, após se conhecerem durante a Guerra Fria e formarem grupos de outros mutantes, começam a aperfeiçoar e aceitar suas habilidades. No entanto, ainda lhes falta uma coisa importante: a aceitação da sociedade. É esse lado humano, pouco explorado nos filmes anteriores, que faz Primeira Classe se destacar.

O enredo mistura fatos e ficção, como quando os mutantes participaram de um dos momentos mais tensos da Guerra Fria, a Crise dos Mísseis em Cuba, e os desdobramentos disso na relação entre as espécies.

Pode-se traçar paralelos entre história e ficção - dentre eles, o mundo bipolarizado e a oposição de Magneto e Xavier, bem como o ódio entre Estados Unidos e União Soviética e rivalidade entre humanos e mutantes. Essa técnica funciona mesmo quando, por um mero segundo, o espectador se pergunta: “Será que isso poderia existir mesmo?”. Nesse ponto, o longa acerta em cheio.

X-Men: Primeira Classe se distingue da maioria dos filmes sobre origens. Mesmo o final não sendo nenhum mistério, a história nos mantém presos e, a cada momento, compreendemos pequenos detalhes sobre o “futuro”. O longa também supera seus antecessores, pois consegue balancear de maneira eficiente as cenas de ação, de grandes orçamentos e efeitos especiais, e os dilemas emocionais enfrentados pelos personagens. Então assista ao filme e escolha seu lado - quem sabe eles realmente não estão entre nós?



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