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20/05/2011 - 13h48 - Atualizado em 23/05/2013 - 03h09

Um papo com o escritor espanhol Enrique Vila-Matas foi tema da quarta mesa do 3º Congresso Internacional de Jornalismo Cultural

Jaqueline Gutierres

Já clamado “o escritor dos escritores”, Vila-Matas conta a história que levou à formação de sua Teoria de Lyon

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Última mesa do primeiro dia do 3º Congresso Internacional de Jornalismo Cultural, iniciada às 17h, “A teoria de Lyon” foi uma grande conversa com o escritor espanhol Enrique Vila-Matas. Mediada pelo jornalista Paulo Roberto Pires, a palestra contou com palmas calorosas e assovios da platéia.

Considerado “o escritor dos escritores”, Vila-Matas contou a história de como pensou uma de suas teorias, que está publicada no livro “Perder teorias” – ainda não foi traduzido para o português. Em uma viagem para um congresso em Lyon, na França, o escritor tentou contato com os responsáveis pelo evento, mas não conseguiu. Assim, sozinho em outro país, o que lhe restou foi esperar que entrassem em contato com ele no quarto do hotel.

Fadado a esperar, Vila-Matas se colocou a pensar sobre o ato de esperar e criou, nesse contexto, a teoria. Com frases filosóficas como “só há espera além da espera” ou “a busca do sentido da vida está na relação com a espera e vice versa”, o escritor mostrou que a espera é condição essencial do ser humano.

A palestra não seguiu apenas o tema que lhe dava nome, Vila-Matas fez comentários sobre a literatura européia e sobre os traços de modernidade que vê nas obras atuais. Um ponto ressaltado pelo escritor foi o valor da tradição literária, que “existe para que possamos dialogar com ela e recorrer a ela quando necessário”. O autor afirmou que acreditar que se faz algo original é um erro e crer que se pode escrever sem ter referências também. “Escrever é um elo ininterrupto da tradição, todos os escritores devem saber que antes deles existiram outros. E que eles devem vir a ser mais uma peça na tradição.”