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19/05/2011 - 10h45 - Atualizado em 21/05/2012 - 07h17

Religião às avessas

Por Lidyanne Aquino, aluna do 3º ano de Jornalismo

Em “Santa Paciência”, a união de muçulmanos e judeus é garantia de risos, graças à estrutura de sua temática

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Reprodução
Religiões são alvo de humor bem empregado
no longa

Conflitos religiosos, além de presença constante nos noticiários, oferecem conteúdo suficiente para a montagem de documentários. A contribuição cinematográfica poderia se limitar ao triste retrato da realidade. Felizmente, há pessoas dispostas a atribuir um aspecto mais ameno da situação, ao criarem uma ficção capaz de satirizar essas disputas, sem soar ofensiva às diferentes religiões.

Em Santa Paciência, dirigido por Josh Appignanesi, o embate entre muçulmanos e judeus é colocado em cena. Mahmud Nasir (Omid Djalili) vive com a esposa e os dois filhos na Inglaterra. O filho mais velho, Rashid (Amit Shah), vai se casar em breve. Mas há um problema - a mãe da noiva concretiza o seu enlace matrimonial com a figura mais carismática do momento - um líder muçulmano extremamente conservador. Rashid teme que o pai desaponte como um seguidor fiel da religião - ou melhor, que deixe tal característica transparecer no encontro das famílias.

Por intermédio de Mahmud, as críticas fazem as primeiras aparições. O pai procura tranquilizar o filho dizendo-lhe que, embora não jejue todos os dias do Ramadã, não faça todas as cinco orações em direção a Mecca a cada dia e beba alguns goles de cerveja de vez em quando, ele é um bom muçulmano - no fundo, esforça-se para sê-lo. Um comentário que não se aplica somente ao islamismo, mas satiriza uma característica comum a muitas religiões - sempre há indivíduos que não seguem os preceitos à risca.

Mas o que fazer quando, poucos minutos depois de declarar tudo isso, Mahmud se depara com uma verdade aterradora? Ao vasculhar caixas na antiga casa de seus pais, já falecidos, ele encontra a certidão de nascimento original. E descobre assim, que além de adotado, seus pais naturais eram judeus.

Em conflito, ele terá que lidar com a curiosidade pelos costumes dos judeus e a tentativa de “estudar” o judaísmo sem que as pessoas de seu convívio saibam. Nessa busca de conhecimento pela religião de seus pais naturais, a personagem de Djalili rende-se até mesmo ao vizinho detestável. Interpretado por Richard Schiff (da série The West Wing), Lenny é americano e judeu, e passa a ser uma peça fundamental na história. Presente em momentos hilariantes do filme, também dá indícios constantes de não ser tão devoto. Junto com Mahmud, são a representação real e irônica dos chavões de ambas as religiões.

O longa não traz nenhuma inovação estética, mas cumpre entusiasticamente seu papel de comédia. Mas há um toque diferencial - os clichês da categoria estão revestidos pelo humor britânico. Fato responsável não apenas pelos momentos de riso, mas também da boa articulação do caminho à previsibilidade do final, que por um pequeno detalhe, ainda consegue surpreender os mais desatentos.



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