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18/05/2011 - 10h49 - Atualizado em 23/05/2012 - 02h56

Melancolia universal

Por Patrícia Homsi, aluna do 2º ano de Jornalismo

Novo cd do Bright Eyes impressiona pela desconcentração de afeto

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Reprodução
Conor Oberst, que encabeça a banda, ao lado de seus
companheiros Mike Mogis e Nate Walcott, lançam o
sétimo álbum

The People’s Key, novo trabalho de Conor Oberst com Bright Eyes, foi lançado em 15 de fevereiro deste ano, após um hiato de quase cinco anos. O álbum traz o melhor da fase antiga da banda combinado às melodias mais abrangentes e imponentes, e é considerado pelos críticos a segunda melhor produção da banda - perdendo apenas para I’m Wide Awake It’s Morning.

O Bright Eyes possui três membros permanentes: Conor Oberst, Mike Mogis e Nathaniel Walcott. Porém, contam com diversas participações em seus sete álbuns oficiais. Desde a primeira gravação, a banda é lançada pela Saddle Creek Record, selo independente do irmão de Oberst que, hoje, promove bandas como  Tokyo Police Club e Cursive, possibilitando uma inovação musical sem tanta influência da indústria sonora.

Conor Oberst iniciou sua carreira no Commander Venus, que era sonoramente comparado ao Sunny Day Real State, grupo precursor do “emo” - no entanto, a mais conhecida influência de Oberst seria Robert Smith, do The Cure. Além disso, ele já participou de diversos projetos musicais, como o Monsters of Folk, Conor Oberst and The Mystic Valley Band e Desaparecidos.

Porém, foi no Bright Eyes que o músico se consolidou como ídolo da música folk e do cenário indie. Até este sétimo álbum, Oberst condensava em suas letras os dramas amorosos de sua vida com uma melancolia poética impressionante, conferindo às canções um alto grau de empatia. A exposição às letras nos traz recordações de todas as dores do passado e fortalece a conexão entre o compositor e seus fãs.

Agora, o músico procura cristalizar sua solidão de uma maneira mais otimista, relacionando-se com o mundo. Nas letras, ainda prevalece a melancolia, traço no qual se baseou toda a trajetória da banda e do frontman.

A maior satisfação que The People’s Key proporciona é a de conseguir transmitir em suas letras a maneira com a qual Oberst se conecta a elas. O ouvinte capta sensações comparáveis às vividas durante o processo de composição, como se pudesse idealizar cada palavra.

Com relação à melodia, o Bright Eyes se torna mais barulhento, além de dividir as atenções entre música e letra. Ouvem-se menos canções acústicas e mais instrumentos experimentais. O folk é menos perceptível - desse modo, The People’s Key pode ser considerado um álbum de rock, sem perder a sonoridade característica da banda, lembrada em faixas como The Ladder Song. O primeiro single do álbum, Shell Games, possui letras positivas e melodia “chiclete”. A voz arrastada de Oberst é a única característica que distinguiria a faixa de qualquer produção de pop rock.

O mais interessante sobre o Bright Eyes em The People’s Key é sua capacidade de renovação sem perdas. Apesar das mudanças na sonoridade da banda, ainda predominam as letras essencialmente melancólicas, o que  mostra a sutileza de Conor Oberst na evolução de sua obra, além de um sólido estilo musical.



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