”Caminho da Liberdade” mostra situações extremas enfrentadas pelo ser humano para obter a liberdade
Longas pausas entre uma produção e outra nem sempre podem ser interpretadas como um mau sinal. Trabalhar durante anos em um longa resulta em um produto completo em cada elemento, resguardado sob uma visão cuidadosa. Peter Weir (Mestre dos Mares, Sociedade dos Poetas Mortos e O Show de Truman), exemplifica bem essa situação em seu novo filme, Caminho da Liberdade.
Seguindo uma tradição do momento, a inspiração para a obra decorre de fatos reais. No livro homônimo, Slavomir Rawicz narra os relatos do longo caminho por ele trilhado ao fugir de uma gulag em busca da tão desejada liberdade. As gulags eram prisões siberianas, nas quais indivíduos acusados de conspiração durante o regime stalinista conviviam em situações deploráveis, submetidos a trabalhos forçados. Há controvérsias quanto à autoria do livro. Contudo, independente de tal fato, a publicação serviu de base para a realização do roteiro, escrito por Keith R. Clarke e Weir.
Em um período crítico de disputa pela Polônia entre a Alemanha nazista e a antiga União Soviética, na década de 1940, Janusz (Jim Sturgess), é delatado pela esposa - submetida à tortura para entregar o marido - e condenado a passar longo período em uma gulag na Sibéria, acusado por espionagem. Ali, logo se torna amigo de Mr. Smith (Ed Harris), com quem planeja a fuga com mais alguns presos. A surpresa se dá quando Valka (Colin Farrell), um dos indivíduos mais temidos no local, resolve acompanhá-los.
Quem admira as fotografias publicadas na revista National Geographic, responsáveis pela produção, irá se deleitar com as paisagens, pois além de vislumbre aos olhos, cada parcela do pano de fundo de Caminho da Liberdade busca abrigar o espectador.
No longa, as sensações vividas pelas personagens são rapidamente apreendidas, marca de uma obra extremamente sensorial. Elas se desenvolvem em conjunto com as paisagens, demonstrando comportamentos imprevisíveis perante os estereótipos apresentados no início do filme. Logo nas primeiras cenas, o espectador experimenta o que visualiza – capaz de despertar fome, sede, esperança e um anseio desalentador pela conquista do conforto, libertos da fuga.
A despeito dos infortúnios que procuram interromper a longa e quase interminável caminhada da Sibéria até os limites da Índia, cada um se agarra ao desejo de desfrutar da liberdade para sobreviver. Um retrato em movimento belo, porém angustiante, da resistência humana em meio às imposições da natureza.
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