“Sobrenatural” se destaca por apresentar uma história plausível em um gênero onde a lógica nem sempre é necessária
Filmes de terror sempre encontram como fonte de inspiração nossos temores mais profundos. Medo da dor, da morte e do desconhecido são alguns dos temas que dão força ao gênero, que instiga a imaginação e que acaba com o nosso sono. Em Sobrenatural, que conta com os mesmos produtores de Jogos Mortais e Atividade Paranormal, são os fantasmas que garantem os sustos e a trama se encarrega de explicar, de forma eficiente, a presença dos desencarnados.
O longa começa utilizando uma fórmula já desgastada nos filmes de terror. Josh (Patrick Wilson) e Renai Lambert (Rose Byrne) se mudam com seus três filhos pequenos para uma nova casa. O casal vive em uma crise silenciosa e, antes mesmo que tudo esteja fora das caixas, o filho mais velho (Ty Simpkins) sofre um acidente. A criança entra em uma espécie de coma: adormece e os médicos não conseguem determinar porque ele não acorda.
Após alguns meses no hospital, o filho retorna, mas volta acompanhado. A mãe, que trabalha em casa, percebe pequenas mudanças no ambiente. De início são portas que abrem sozinhas e alguns barulhos estranhos. Até que vozes e aparições começam a assombrar a família, que decide se mudar novamente. Porém, seja o que for que os estava perturbando, os acompanhou no novo endereço.
Com a ajuda da sogra (Barbara Hershey), Renai convence o marido a buscar ajuda. Entram em contato com uma paranormal e seus dois assistentes - entre eles o roteirista do filme, Leigh Whannell. Diagnóstico: o filho do casal está sendo assombrado. A alma do pequeno está presa em um local chamado Além, e outras entidades querem fazer uso do corpo vazio.
O filme ganha força nas cenas de terror muito bem executadas. Em algumas, num primeiro momento, não vemos nada de errado. Mas a música colabora para os instantes de tensão das personagens, que demonstram o seu espanto através de gritos. Em outras, durante ações tão rotineiras como conversar, sem aviso prévio, musical ou de cena, aparece um espírito. A impressão é de que eles estão sempre presentes, mas não são percebidos todas as vezes.
A trama é bem amarrada. As perguntas que aparecem no começo são sanadas, mas deixam aberturas para diferentes interpretações; enquanto fala de eventos paranormais, se aproxima da realidade.
Naturalmente sobrenatural e sobrenaturalmente natural. O longa assusta por colocar o terror no cotidiano das personagens e fazer o espectador se questionar se o mesmo não poderia acontecer com ele. O que se passa naquele corredor escuro, à noite, quando você vai pegar um copo d’água? Esperamos que a resposta do filme esteja errada, ou algo de muito ruim pode acontecer.
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