Peça “O Mentiroso” reúne música ao vivo e elementos circenses no Teatro Commune
O Mentiroso está em cartaz, às segundas-feiras, no Teatro Commune. De autoria do italiano Carlo Goldoni, o espetáculo foi adaptado e dirigido por Maria Eugênia de Domenico e Augusto Marin.
A peça conta a história de Lélio Bisognosi, um napolitano que viaja a Veneza trazendo consigo uma ágil compulsão por mentiras. Ao chegar à cidade, descobre que um admirador secreto compôs uma serenata em homenagem às filhas de um médico da região. Lélio assume para si a autoria da composição, fingindo estar apaixonado por uma das filhas do doutor, e então começa um emaranhado de mentiras e confusões.
Além de grande elenco, a peça conta com três músicos (percussão, acordeão e violão) que desempenham pequenos papéis no espetáculo e preenchem as ações das personagens com efeitos sonoros, sons incidentes e acompanhamento das canções.
A atriz Eliane Rossetto, que interpreta Francesquina, criada das filhas do médico, lembra que o processo de montagem exigiu do elenco o aprofundamento nos estudos sobre a farsa: “Foram quatro meses de trabalho, desde a primeira leitura até a nossa estreia”, contou. “Nossos trabalhos sempre se dividiam entre estudos do texto, improvisações com máscaras, descoberta do jogo da farsa e preparação corporal, tanto para desenvolver a movimentação específica de cada personagem, como para condicionar e aumentar a resistência física dos atores”.
O espetáculo contém diversos recursos cênicos – como iluminação, cenografia e máscaras - que dialogam criativamente com o tom farsesco proposto por autor e diretores. Augusto Marin, que além de co-dirigir a montagem interpreta o protagonista Lélio Bisognosi, conta que, desde o início, a ideia do grupo era ter um cenário e adereços móveis e fáceis de transportar, facilitando viagens e apresentações em outros locais: “Isso resultou em algo teatral e farsesco, como na linguagem do desenho animado”, disse.
Marin acredita na importância de um texto como esse ser montado atualmente: “A peça fala do próprio teatro, da inventividade, da capacidade que nós, atores e autores, temos de inventar histórias e reinventar a vida por meio delas”, conta. “É um texto poético e divertido, que aborda a própria arte teatral e a necessidade que todos temos de mentir”.
A encenação valoriza o estilo satírico e farsesco do texto. Marin revela que “[a diretora do espetáculo] Maria Eugênia nos orientou desde o início a fazer da peça uma farsa, deixando a comédia de lado”.
“A farsa tem um tom acima, mais formal. A comédia de costumes é menos agressiva, menos irônica e satírica. Além disso, na farsa cabe a musicalidade, cenas estilizadas e alegorias”, explica o co-diretor. “Porém, ela não pode jamais ser feita de forma estereotipada. Deve ser verdadeira, do contrário, não funciona”.
Eliane ainda destaca outra característica da farsa: “É um gênero que se distingue por não estar preocupado em passar uma mensagem moral, busca apenas o humor”.
Os atores afirmam que o grupo todo colaborou no processo criativo de montagem do espetáculo. “Muitas cenas cômicas e frases de efeito apareceram dos atores, como a fala ‘lampejos de criatividade’, do meu personagem ”, conta Marin. “Num trabalho desse tipo, a participação do coletivo é de vital importância”.
Eliane atribui esse processo democrático à direção: “As discussões sempre foram abertas, todas as opiniões sempre foram muito bem recebidas e aproveitadas pela direção, que valorizou o trabalho de cada profissional dentro da equipe”.
O Mentiroso
Teatro Commune
Rua da Consolação, nº 1218
Tel: (11) 3476-0792
Ingressos: R$ 30,00
Em cartaz às segundas-feiras, às 21h00, até o dia 25 de abril.
Comentários Postados
Bonito texto. Objetivo e claro sobre o espetáculo.
Envie o seu comentário
Caro leitor, esse espaço foi criado para que você opine e discuta a matéria que acabou de ler
Cada comentário comporta no máximo 600 caracteres.
Os comentários devem se ater ao texto publicado.
Mensagens ofensivas, provocativas ou que contenham palavras de baixo calão serã excluídas.