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13/04/2011 - 10h58 - Atualizado em 23/05/2012 - 09h42

Banksy, polêmica e dinheiro

Por Helena Tarozzo, aluna do 2º ano de Jornalismo

Especulações sobre para onde levar a arte de rua

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Reprodução
Cartaz do filme

Afinal, street art e grafitti devem estar dentro de galerias de arte? Essa pergunta divide opiniões quando o assunto é arte urbana enquanto contemporânea. Poucos são a favor de incluir em museus e galerias traços tão característicos em viadutos ou que beiram telhados. Na contra mão da maioria das opiniões, o espaço Matilha Cultural propõe discussões com sua exposição sobre estêncil, uma das técnicas da street art.

Devido a mostra, foi exibido nos dias 8, 9 e 10 de abril o documentário Exit Through The Gift Shop (Saída Pela Loja de Presentes), produzido pelo grafiteiro britânico Bansky. Indicado ao Oscar de melhor documentário em 2011, o filme é visto por alguns críticos como mais uma das jogadas geniais do artista, que desde o início da carreira é considerado polêmico e inovador.

Na obra Banksy (que continua com a identidade secreta), apresenta o documentário e a “personagem” é Thierry Guetta. Este, a princípio, parece ser apenas ficcional, mas existe de fato, com esse nome. Guetta é apresentado como um maníaco por filmar coisas sem técnica, mas com paixão. Ele acompanha grafiteiros de Los Angeles e Paris gravando horas do que seria um documentário sobre a arte deles. Em busca dos melhores grafiteiros do mundo Guetta conhece Banksy e o inglês muda a vida do film maker quando o encoraja a largar as câmeras e fazer o seu próprio graffiti.

Guetta vira Mr. Brain Wash (MBW) e sua arte parte daquilo que aprendeu nos anos em que conviveu com grafiteiros. O problema é que MBW se apropria de técnicas e obras dos outros, dando um quê de novidade. Ele gera especulação financeira em cima das próprias obras ao organizar uma grande exposição em Los Angeles. No melhor sentido warholiano, consegue 15 minutos de fama por meio de propaganda, por sua arte não ser nada subjetiva e, sim, uma questão de mercado.

Logo especulam sobre a legalidade do que MBW faz como arte, além de surgirem discussões sobre qual o valor que deve ser dado à arte de rua. Uma obra do Banksy, hoje, pode chegar a custar milhões. Mister Brain Wash fez as suas chegarem a altos preços por meio da divulgação e “lavagem cerebral” feita no público, crédulo diante do que julga inovador.

Há de se perguntar se essa arte é válida, assim como nos questionamos se vale a pena levar a street art para dentro de galerias. As influências, sem dúvida, existem por toda parte, e o efêmero está intrínseco na arte urbana. Nas palavras de Demétrio Portugal, gestor cultural da Matilha, a preocupação não estaria no local, nem nos temas e preço. Afinal, tudo é válido enquanto arte, principalmente na urbana, que já surge sem regra alguma.

“O filme, como muito da arte do Banksy surge como uma experiência, e pode ser visto até como uma ‘tiração de sarro’. Isso é muito específico dos britânicos, tirar sarro com arte. O problema é quando ela passa a valer muito. Mas aí então, o que resta é colocar o preço como regra do jogo”, diz Demétrio.



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