“Cinema e Loucura” é o tema desta edição, que teve “Bicho de Sete Cabeças” como filme de abertura
Bicho de Sete Cabeças, da diretora Laís Bodanzky, foi o filme de abertura do 8° Ciclo de Cinema de Cultura Geral. O evento começou hoje (4) e se estenderá até sexta-feira (8), com tema Cinema e Loucura. A exibição do longa começou às 12h30, na Sala Aloysio Biondi, e foi sucedida por debate entre a professora de Antropologia da Faculdade Cásper Líbero, Sandra Goulart, o aluno Lucas Campacci, do 2º ano de Jornalismo, e os demais estudantes da instituição. O encontro foi mediado por Adalton Diniz, atual coordenador de Cultura Geral.
No filme, Rodrigo Santoro interpreta Wilson Neto, um jovem que vive em um espaço familiar autoritário e não se adapta às normas da sociedade Quando o seu pai, vivido pelo ator Othon Bastos, encontra um cigarro de maconha ao revirar seus pertences, decide interná-lo em um hospital psiquiátrico. O tratamento desumano no hospital, aliado ao consumo obrigatório de remédios, gera em Neto fortes transtornos psicológicos. A história, baseada em fatos reais, representa uma bandeira contra o sistema manicomial.
No debate, foi discutido se há a real necessidade de internação psiquiátrica e o que está por trás desse mecanismo, que mais exclui e isola os indivíduos do que contribui para um tratamento ressocializante, como destacou o aluno Lucas Campacci.
Para Sandra Goulart, tratamentos em clínicas psiquiátricas como essas revelam a dificuldade de lidar com a diferença de comportamentos em nossa sociedade, além do interesse de controle e apaziguamento social. “Quando se identifica a figura do usuário de drogas com a figura do doente, a ideia básica é que um drogado é um amoral”, declarou a professora. “Na verdade, o seu comportamento é considerado perturbador, representa um perigo”. Ela ainda defendeu que a sociedade está sempre repreendendo certos comportamentos contra as minorias e realizando verdadeiros “rituais de exorcismo social”.
O filme reflete sobre o descaso com os pacientes e a padronização dos tratamentos. Todos os internos ingeriam o mesmo remédio e não eram submetidos a averiguações e a exames sérios, situação sustentada pela corrupção governamental.
Ademais, não havia conversas entre médicos e pacientes, nem entre Neto e seu pai. Campacci salientou que “os diálogos entre pai e filho eram sempre rasos”, falavam de futebol e outras trivialidades.
A comunicação entre as personagens no filme é incipiente, refletindo a situação de solidão e descaso que envolve o tema da loucura. Para Diniz, o cineasta utilizou a temática da droga como um instrumento para discutir o problema das relações humanas.
O Ciclo de Cinema continua amanhã, terça-feira, com a exibição de Uma Mente Brilhante, às 12h30 na Aloysio Biondi.
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