Arte do canal

índice geral



Home / Cultura Geral / Notícias

01/04/2011 - 17h32 - Atualizado em 23/05/2012 - 09h26

Café Filosófico de março debate as Revoluções Árabes

Por Gabriela Sá Pessoa, Editora do site

Evento teve como palestrantes os jornalistas Soraya Misleh e Igor Fuser

Compartilhe:


Pedro Brum
Soraya Misleh e Igor Fuser falaram para um público
atento no Parque Trianon

As causas, o impacto e os possíveis desdobramentos das Revoluções Árabes foram discutidos no primeiro Café Filosófico do ano, realizado na última quarta-feira (30) no Parque Trianon. “Esse Café promete ser um dos melhores do ano”, apostou Chico Nunes, organizador do evento e professor da Faculdade Cásper Líbero.

Para falar sobre o tema A Primavera Árabe, foram convidados o coordenador do curso de Jornalismo da Cásper, Igor Fuser, e Soraya Misleh, jornalista e diretora de imprensa do Instituto de Cultura Árabe.

Fuser, que iniciou a discussão, explicou que as revoluções foram fruto de tensões acumuladas contra os governos ditatoriais ao longo do século 20. Incapaz de se expressar pelos canais convencionais da política, a população se dispôs a ir às ruas e enfrentar as forças de segurança. Não existia partido político ou um comitê que centralizasse as manifestações -- tratou-se de “um processo em que o próprio povo foi tomando as decisões na medida em que os fatos aconteciam”, declarou.
 
Além das implicações geopolíticas, ele destacou o impacto ideológico provocado pelas revoltas no imaginário ocidental. “Muitas ideias erradas e preconceitos foram difundidos”, apontou. Por exemplo, a crença de que a cultura árabe seria incompatível com a democracia e de que, caso os governos tirânicos caíssem, organizações fundamentalistas e obscuras tomariam o poder. Em vez disso, acabaram as ditaduras e não se viu “fundamentalismo e terrorismo nenhum, o que existe são movimentos sociais lutando por causas muito justas”, defendeu o convidado.

Soraya concentrou sua fala nas perspectivas da Primavera Árabe em relação à Palestina e na participação das mulheres nas manifestações. A jornalista acredita que “as revoluções em andamento podem mudar a geopolítica da região [das terras palestinas]”.

Tendo em vista a tradicional solidariedade entre os povos do mundo árabe, ela considerou a possibilidade de que os países recém-libertos de regimes tirânicos -- como o Egito e a Tunísia -- apóiem “um levante por uma mudança importante na Palestina”. Essa cooperação, segundo a palestrante, não acontecia porque os governos ditatoriais eram alinhados a interesses estadunidenses e, por conseguinte, aos de Israel.

No que diz respeito à atuação feminina nas revoltas, Soraya acredita que o fato tenha colaborado para derrubar a falsa ideia de submissão na cultura árabe. “Sem a participação das mulheres na revolução, ela não seria completa”, declarou.

Também foi discutida intervenção da OTAN na Líbia, aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU.  “A partir da cláusula de proteção ao civil”, afirmou Fuser, “[os membros da OTAN] se tornaram força beligerante numa guerra civil” entre as forças pró e anti-Kadafi. Na opinião do coordenador, tal atitude revela a “hipocrisia do ocidente”, já que a soberania libanesa poderia ser atacada com o argumento da defesa dos civis, enquanto cidadãos mortos por países apoiados pelos EUA -- Bahrein, Iêmen e Israel, por exemplo -- não têm proteção alguma.

Além da discussão sobre política e direitos humanos, o Café Filosófico também foi espaço de manifestações artísticas. A música ficou por conta do trio Pedro Messias, Fábio Anastácio e Regina Vasto. Já as artes plásticas foram representadas por Urasaki, que grafitou ao vivo um painel inspirado na cultura árabe. A julgar pela diversidade cultural e pelo sucesso de público neste Café, é possível dizer que a aposta do professor Chico Nunes se concretizou.



Comentários Comentários Postados
Comentários Envie o seu comentário

Caro leitor, esse espaço foi criado para que você opine e discuta a matéria que acabou de ler

Cada comentário comporta no máximo 600 caracteres.

Os comentários devem se ater ao texto publicado.

Mensagens ofensivas, provocativas ou que contenham palavras de baixo calão serã excluídas.

restam caracteres.