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29/03/2011 - 17h11 - Atualizado em 23/05/2012 - 09h20

Ex-vice presidente José Alencar morre aos 79 anos

Heloisa Rocha

Nos últimos 13 anos, o político mineiro lutava contra o câncer

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Arquivo

Nesta terça-feira, 29, por volta das 14h45, o ex-vice presidente de República José Alencar morreu em decorrência de uma falência múltipla de órgãos, aos 79 anos, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.

O político lutava há 13 anos contra um câncer na região do abdômen, mas nos últimos meses a situação se complicou. Após passar 33 dias internados – inclusive no Natal e Ano Novo – Alencar havia deixado o hospital no último dia 25 de janeiro para ser homenageado no aniversário da capital paulista.

A internação tinha sido motivada pelas sucessivas hemorragias e pela necessidade de tratamento do câncer no abdômen. Durante meses de internações sucessivas, a última entrada do ex-vice presidente no hospital foi na segunda-feira, 28, com um quadro de suboclusão intestinal.

José Alencar era casado com Mariza Campos Gomes da Silva e deixa três filhos: Josué Christiano, Maria da Graça e Patrícia.

CARREIRA

Nascido em 17 de outubro de 1931, em Itamuri, município de Muriaé, zona da mata mineira, José Alencar Gomes da Silva é o décimo primeiro filho de um comerciante e uma dona-de-casa.

O primeiro emprego só surgiu aos 14 anos, como vendedor de tecidos numa loja em Muriaé. Sem dinheiro para alugar um quarto, Alencar dormia num corredor de um pensionato. Em 1950, no município de Caratinga (MG), ele pegou dinheiro emprestado com o irmão e inaugurou a primeira loja de tecido, tudo a preços populares. 

Três anos mais tarde, Alencar vende a loja e vira vendedor atacadista de tecidos. Ele ainda trabalha como comerciantes de grãos e sócio de uma fábrica de macarrão.

Em 1967, com os empréstimos da extinta Sudene e apoio do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, ele funda em Montes Claros a Cotaminas, que se tornaria um dos maiores grupos têxteis do país.

Por 15 anos (1989-1994), Alencar presidiu a Federação das Indústrias de Minas Gerais e também dirigiu a Associação Comercial de Minas e a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte.

Em 1994, após transferir o comando da Cotaminas ao filho mais velho, José Alencar candidata-se ao governo de Minas Gerais pelo PMDB, ficando em terceiro lugar na disputa. Somente em 1998, com quase três milhões de votos, ele se elege à senador pelo Estado de Minas Gerais. 

Em 2001, Alencar desfilia-se do PMDB e, um mês depois, entra para o PL. Com a aliança entre PT e PL, em junho de 2002, ele se torna vice na chapa vitoriosa de Lula à Presidência da República.

Em 2004, ele passa a acumular a vice-presidência e o cargo de ministro da Defesa, que exerce até 2006. Em meio à crise do mensalão, Alencar deixa o PL em 2005 e participa da fundação do PRB (Partido Republicano Brasileiro).

Mesmo enfrentando problemas de saúde, Alencar aceita o convite de Lula para integrar novamente a chapa como vice. Os dois se reelegem para um mandato que vai até 2010.