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11/03/2011 - 10h21 - Atualizado em 23/05/2012 - 08h55

O Mundo Islâmico em meio à beleza e discussão política

Por Melissa Panteliou, aluna do 2º ano de Jornalismo

Com 58 obras de 19 artistas, exposição “Miragens” busca quebrar estereótipos ligados a cultura islâmica

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Reprodução
Fashionista Terrorista: obra de Laila Shawa que integra
a exposição

Idealizada por Rodolfo Athayde, a exposição Miragens - Arte Contemporânea no Mundo Islâmico nasceu de uma parceria do Instituto Tomie Ohtake e do Centro Cultural Banco do Brasil, que, por sua vez, apresenta a mostra Islã: Arte e Civilização. Tendo em comum a origem árabe, dezenove artistas de dez nacionalidades – inclusive brasileira – trazem à mostra trabalhos fotográficos, colagens, gravuras, ilustrações, instalações técnicas e vídeos.

Quem entra em uma das duas salas do andar superior do Instituto, se depara com uma das formas de expressão artística mais antiga: a caligrafia. O ditado árabe “a morada do homem é o horizonte” escrito em cores fortes em um dos quatro quadros do artista Hassan Massoudy dá as boas vindas ao visitante, além de acentuar um dos tons predominantes nas obras: a delicadeza.

É essa delicadeza que Shirin Neshat escolheu como protagonista para sua série de Mulheres de Alá. Nos trabalho fotográficos em preto e branco, a artista iraniana contrapõe a fragilidade de fragmentos de corpos femininos decorados com inscrições caligráficas e a brutalidade das armas, intrusas na cena de beleza.

Usando o alfabeto árabe de forma mais palpável, Rachidd Koraichi fez as palavras se erguerem do chão e da parede, onde projetam sombras inumeráveis, deixando toda a área em que se espalha a obra Você faz falta até a minha sombra com uma atmosfera mais intimista. É também abusando de sombras que as masharabiyas de Susan Hefuna chamam atenção para a imagem desfocada da mulher por detrás das treliças brancas, símbolos tradicionais da arquitetura árabe.

Os trajes típicos também estão muito presentes, seja com uma túnica enorme de Bita Ghezelayagh, feita de feltro e decorada com pequenas armas douradas; seja na colagem Fashionista Terrorista de Laila Shawa, em que quatro imagens iguais e muito coloridas (à la Andy Warhol) de uma pessoa com apenas os olhos descobertos são emolduradas por fileiras de cápsulas de munição. A artista, por sinal, é uma das mais sarcásticas da mostra: em Os Patrocinadores, uma referência clara a bandeira norte-americana - listras vermelhas e brancas juntas de estrelas azuis - é acompanhada por cifras pretas, que parecem pichações sobre o símbolo patriótico americano.

Mas Shawa não é a única que faz alusão à cultura americana. Ocupando uma parede inteira, doze fotografias, vistas da esquerda para a direita, acompanham o Super Muçulmano, do turco Sener Ozmen, enquanto ele despe a capa vermelha e coloca-a calmamente no chão para realizar suas preces a Alá.

Subvertendo clichês e abusando de ironias, a exposição promove o encontro do público paulistano com a arte contemporânea islâmica, encontro esse que, segundo a curadora Ania Rodríguez, “contribui a confrontar as visões estereotipadas que o Ocidente sempre construiu com relação ao Oriente”.

Miragens - Arte Contemporânea no Mundo Islâmico

Instituto Tomie Ohtake
Endereço: Rua Dos Coropés, nº 88
Tel.: (011) 2245-1900
De terça a domingo e feriados: das 11h00 às 20h00
Grátis
De 10/02 a 03/04



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