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21/02/2011 - 15h30 - Atualizado em 23/05/2012 - 08h25

Em aula magna, prof. Dr. Jorge A. González fala sobre a tecnologia presente no cotidiano

Lidia Zuin, monitora do site de Jornalismo

Acadêmico da Universidade Autônoma do México faz críticas à realidade do seu país e como as inovações moldam a vida contemporânea

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Pedro Brum
Para o prof. Dr. Jorge A. González, México e
Brasil precisam investir na pesquisa para
deixarem de ser objeto de estudo aos olhos
dos estrangeiros

Foi realizada nesta quinta-feira, dia 17 de fevereiro, a aula magna da Pós Graduação da Faculdade Cásper Líbero. O evento contou com a participação do Prof. Dr. Jorge A. González, da Universidade Autônoma do México, além do lançamento de dois livros, Comunicação: diálogos, processos e teorias, organizado pelos professores Cláudio N. P. Coelho e Walter T. Lima Jr, e Produtos e processos comunicacionais, com organização de José Eugênio Menezes e Luís Mauro Sá Martino. Nesta mesma oportunidade, foram apresentados os dezenove novos pesquisadores do Mestrado.

A palestra de González, intitulada “Cibercultura, Comunicação e Conhecimento”, foi rápida, mas esclarecedora. Inicialmente, o acadêmico procurou desenvolver o sentido etimológico da palavra “cibercultura”, trazendo a raiz da palavra a partir da cibernética, termo que vem do grego “kybernetes”, que quer dizer conduzir. Além dessa origem, o professor recordou da primeira aparição do termo cyborg, na literatura da década de 1980. “Trata-se de um ser humano ciberneticamente modificado. Isto vem da ficção científica, especificamente do livro Neuromancer, de William Gibson”, elucidou. Inclusive, foi nesta mesma obra que nasceu o conceito de ciberespaço, definido como “alucinação consensual”.

Para González, sua palestra tem a ver com a ciborguização (ou digitalização) da vida contemporânea: desde a anexação do cyber aos elementos cotidianos (como cybercafé) até a individualização da tecnologia e do acesso à rede. Isso se reflete mesmo no Brasil, em que há mais aparelhos celulares do que habitantes. “Cada vez mais a ciência investe numa experiência particular da rede, seja pelo Blackberry ou pelo iPad”, apontou.

Deste ponto, o professor partiu para um olhar mais amplo, comparando o comportamento de países como a Coréia do Sul e o México diante da tecnologia. “Enquanto os coreanos incentivaram a ciência e as artes, o México não pensou na formação de profissionais, mas na facilitação da entrada de multinacionais no país”, apontou.

Isso se deu por conta do baixo custo cobrado pela mão-de-obra mexicana, mas com o avanço da China e com o maior barateamento dos trabalhadores asiáticos, as empresas acabaram partindo para o Oriente.  Além desta perda, González citou o tratado de Bucarelli (1923), firmado entre Estados Unidos e México. O documento previa o pagamento de uma dívida originada em 1868, sendo esta a forma de fazer com que o país tivesse seu governo reconhecido, após a Revolução Mexicana.

Oscilando entre a crítica à realidade mexicana e ao contexto global em relação à tecnologia, González acredita que a influência das inovações se dê em três dimensões, presentes na idéia de “ecologias simbólicas”. “Essas mudanças são ao nível da informação, comunicação e conhecimento. Mesmo assim, não as compreendemos por completo: geramos tecnologia do desconhecimento, da deslocalização, descomunicação e isolamento, da apropriação individualista e do narcisismo”, argumentou. Isso acontece quando consumidores (elite) competem a superiodidade de seus gadgets ou quando grandes empresas tentam controlar a produção de conhecimento na internet – por exemplo, quando gravadoras impedem o uso de suas músicas em vídeos do Youtube. “O sentido da internet é compartilhar, é uma contracultura. E aí vêm os direitos autorais”, disse.

Para González, “o conhecimento é a única coisa que pode romper o círculo vicioso”. Ou seja: não se pode parar de se criar e produzir inteligência. “Cerca de 50% da produção de conhecimento no México parte da Universidade Autônoma do México (UNAM), mas mesmo tendo ficado um ano fechada, na greve de 1997, o povo não se queixou”, comentou. Isso simboliza a falta de fôlego e significação dada ao conhecimento, o que acaba tornando países como o México, ou mesmo o Brasil, “lugares em que as sociedades parecem ter sido desenhadas para se tornar objeto de estudo dos estrangeiros”. Como um último apelo, González pede para que não se perca a noção de importância da pesquisa.

Professores e alunos

Tanto em Comunicação: diálogos, processos e teorias quanto em Produtos e processos comunicacionais, houve colaboração de artigos de professores e alunos da Pós Graduação da Faculdade. Após apresentados os novos alunos, foram entregues os livros aos presentes e participantes dos livros.



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