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18/02/2011 - 15h23 - Atualizado em 23/05/2012 - 08h20

O Outro Lado da História

Por Lidyanne Aquino, aluna do 3º ano de Jornalismo

Em seu quarto livro, John Boyne mostra uma visão diferente da Segunda Guerra Mundial

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Reprodução
O Menino do Pijama Listrado: mais de
5 milhões de cópias vendidas em
todo o mundo

Para os adultos, a inocência é usualmente a característica mais encantadora das crianças. Esse traço é responsável pela capacidade que elas têm de conceber coisas complexas com simplicidade, interpretando-as à sua maneira e construindo, assim, uma visão singela dos acontecimentos cotidianos. É dessa forma que o pequeno Bruno conta sua história na obra de John Boyne, O Menino do Pijama Listrado.

O garoto tem nove anos e possui características comuns às crianças da mesma faixa etária. Gosta de se divertir com os amigos da escola, de brincar de “exploração” na enorme casa onde mora e de provocar Gretel, a irmã mais velha. A infância bem aproveitada é abalada, porém, quando os pais anunciam uma mudança. Por razão do trabalho do pai, a família deverá abandonar Berlim para viver em “Haja-Vista”, onde deverão permanecer por um “futuro previsível”.

Aceitar tamanha transformação não é fácil para ninguém, mas torna-se ainda mais difícil para uma criança. A nova casa é menor e isolada - a família não possui vizinhos e os irmãos têm um professor particular. Há somente um enorme campo de concentração, separado da propriedade por uma cerca de ferro.

Bruno faz o que pode para se distrair, como inventar um balanço com uma roda de pneu, ou brincar de explorar caminhando ao longo da divisa entre o campo e sua casa. Durante tais expedições, ele se depara com Shmuel, criança que vive do outro lado da cerca e traja o mesmo "pijama listrado” utilizado por todos onde vive.

Visitar o novo amigo torna-se, então, uma atividade cotidiana na vida de Bruno e ambos aproveitam as horas de conversa como uma fuga das tardes tediosas. A curiosidade do garoto provoca certa agonia no decorrer da obra – afinal, ele não compreende verdadeiramente os acontecimentos e a família faz o possível para sustentar essa situação.

Boyne faz bom uso dos recursos narrativos, uma vez que, apesar de o contexto do livro ser conhecido, o enredo se desenvolve provocando dúvidas no leitor. Embora não seja a melhor obra sobre a Segunda Guerra Mundial, O Menino do Pijama Listrado oferece uma interessante versão do período. Boyne optou por abordar uma visão pouco usual, com o cuidado de orquestrar personagens que pouco conhecem suas próprias condições.

Apesar de pertencer à categoria de publicações infanto-juvenis, o livro pode ser um tanto pesado para jovens, em especial por seu triste desfecho. Ainda assim, é uma obra delicada, que proporciona uma válida reflexão sobre um período tão conturbado da História Contemporânea.



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