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21/01/2011 - 14h27 - Atualizado em 23/05/2012 - 07h42

O conflito do homem-máquina

Por Lidia Zuin, aluna do 4º ano de Jornalismo

"Caprica" conta sobre o universo de Battlestar Galactica antes da grande guerra

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Reprodução
Elenco da série

Em 2010, o canal americano Syfy lançou o seriado Caprica para explicar como se desdobraria o universo explorado pela série de ficção científica Battlestar Galactica. Veiculada de 2004 a 2009, a obra é um remake do trabalho homônimo de Glen A. Larson, transmitido pela ABC, em 1978.

Com apenas 18 episódios – pois foi cancelada –, Caprica apresenta o planeta que dá nome à série, uma das doze colônias do universo de Battlestar Galactica. A trama, superficialmente, resume-se a três núcleos: as famílias Graystone e Adama e os monoteístas. Cada um tem seu planeta de origem, sendo respectivamente de Caprica, Tauron e Gemenon. A dúzia de territórios possui congruência com os signos do zodíaco, sendo que estes influenciam até mesmo nas características de cada povo: Capricans são ambiciosos, Taurons são ritualísticos e tradicionais e Gemenons são fiéis e obstinados.

A história se desenvolve a partir da bomba que Zoe Graystone (Alessandra Torresani), junto de colegas de escola, explode num metrô de Caprica. Filha de Daniel (Eric Stoltz), dono de uma importante empresa de robótica, a garota acaba assassinando esposa e filha de Joseph Adama (Esai Morales), além de dezenas de cidadãos – tudo em prol do monoteísmo, defendido pela Irmã Clarice Willow (Polly Walker), que coordena a instituição em que Zoe estudava e mantém a seita em segredo - já que a religião oficial é o politeísmo. Lacey Rand (Magda Apanowicz), melhor amiga de Zoe, no entanto, acaba não participando do atentado, portanto, responsabiliza-se em reencontrar a imagem da amiga, no V-World (mundo virtual), que, na verdade, é uma inteligência artificial que ela mesma programou sem o conhecimento dos pais – um avatar.

Dessa forma, Zoe fica conhecida como terrorista, levando os negócios de Daniel à decadência e fazendo sua mãe, a médica Amanda Graystone (Paula Malcomson), enlouquecer a ponto de tentar suicídio. A reação não é menor entre os Adama, que se mostra uma família unida pelas tradições de seu povo, os Taurons. Os irmãos Joseph e Sam (Sasha Roiz) acabam responsáveis pela educação de Willie (Sina Najafi), filho do primeiro. Enquanto isso, Daniel acaba descobrindo que suas próprias criações, o V-World e o holoband (aparelho de realidade virtual), possui outros níveis criados por hackers, onde as leis do mundo real não são válidas. Ao encontrar o avatar de Zoe e da filha de Joseph, Tamara (Genevieve Buechner), os dois tentam se aproximar de ambas, encontrando-as em New Cap City, jogo que, uma vez morto o usuário, o retorno é impossível.

Assim como a verdadeira Zoe, o avatar não se mostra afetuoso com o casal Graystone. Quando o cientista transfere o algoritmo do plano virtual para um de seus robôs, os cylons (cybernetic lifeform node), o avatar não responde aos comandos, fazendo Daniel pensar que seus experimentos falham. A partir disso, diversos núcleos conspiratórios se desenvolvem no entorno da empresa de Daniel, bem como os monoteístas avançam em suas missões, levando os mais jovens seguidores (inclusive Lacey) a Gemenon, onde seriam treinados.

O seriado é um drama de ficção científica que vai além de naves e explosões. Apesar de se passar num planeta senão a Terra, Caprica não aborda questões alienígenas, sendo todos humanos presos à realidade contemporânea com um acréscimo de tecnologia em um nível avançado. Apesar de falhas no desenvolvimento de algumas personagens e falta de arremate em algumas pontas começadas, Caprica é um exemplo de como a ficção científica pode tratar de assuntos como o pós-humanismo, o real e virtual, a singularidade, a relação homem-máquina, bem como relacionamentos familiares e amorosos, religião e tecnologia.

Infelizmente, o seriado foi cancelado em 2010. Segundo Mark Stern, vice-presidente de programação original da Syfy, o motivo foi o seguinte: “Caprica não tem sido capaz de angariar uma audiência necessária para justificar uma segunda temporada”. Apesar de curta, a atração teve um desfecho de grande qualidade, sem decepcionar os fãs. 



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