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12/01/2011 - 17h51 - Atualizado em 23/05/2012 - 07h37

Overdose de testosterona

Por Jaqueline Gutierres, aluna do 3º ano de Jornalismo

“Two and a Half Men” mostra o hilário cotidiano dos irmãos Harper, além das estripulias das personagens secundárias

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Reprodução
Os dois homens e meio da série de Lee Aronsohn e
Chuck Lorre

Uma linda casa em Malibu, muito dinheiro, pouco trabalho, bebida de sobra e muitas mulheres. Esse é o resumo da vida do quarentão Charlie Harper (Charlie Sheen), um beberrão mulherengo, compositor de jingles e músicas infantis, importante personagem da série Two and a Half Men; que se depara com grande alteração em seu cotidiano, devido à mudança de seu irmão mais novo, Alan (Jon Cryer), para sua bela casa de praia.

Alan se divorciou da esposa dominadora e mandona, Judith (Marin Hinkle), e sem ter onde morar se abrigou na casa do irmão. Dois homens solteiros, criados pela mesma – odiada – mãe, possuem todos os requisitos para ter uma boa relação, não fosse Alan o oposto de Charlie. O irmão mais novo é um quiropata metódico e neurótico, sem dinheiro e que não faz sucesso com as mulheres.

Além das bagagens, levou para Malibu o filho Jake (Angus T. Jones), que oficialmente mora na casa da mãe, mas passa os finais de semana e as férias com o pai. O garoto - a criança gordinha das primeiras temporadas - é um comilão com um futuro não muito promissor nos estudos. Depois de oito anos no ar, o ator cresceu e a personagem o acompanhou; na série Jake já tem as primeiras namoradinhas e experiências com bebidas alcoólicas.

Os três homens ou dois e meio, - como sugere o nome do seriado - são os principais responsáveis pelas histórias hilárias, mas não são as únicas personagens fixas. Charlie tem uma irreverente empregada, Berta (Conchata Ferrell), que está sempre zombando os dois irmãos. Falando grosso e com a cara fechada, a mulher coloca medo no patrão, ganha todas as discussões e manda muito mais do que obedece.

Elegante e muito arrogante, a mãe dos Harper, Evelyn (Holland Taylor), é uma viúva de muitos maridos. Mora sozinha em uma bela casa, que é o cenário principal de suas aventuras sexuais - que vão desde fantasias de polícia até roupas de colegial -, quase sempre interrompidas por algum dos filhos em apuros. Sem nenhum instinto materno, a falsa loira é sempre retratada pelos irmãos como um pesadelo e não demonstra interesse em mudar essa imagem.

Além de Berta e Evelyn, existe a vizinha Rose (Melanie Lynskey), psicóloga obcecada por Charlie e com sérias tendências psicóticas. Ela o segue em todos os lugares e sabota seus relacionamentos mais duradouros, além de perder o controle de sua voz fina e doce quando conversa com o amado, gritando os verdadeiros sentimentos sempre desprezados pelo bon vivant.

O seriado de Lee Aronsohn e Chuck Lorre, - este último também criador de The Big Bang Theory - é um sucesso nos Estados Unidos, onde ganhou quatro vezes o People’s Choice Awards (2004, 2007, 2008 e 2009) de melhor série de comédia e onde, em 2009, Jon Cryer ganhou o Emmy de melhor ator coadjuvante. No Brasil, o canal por assinatura Warner exibe a oitava temporada e reprisa episódios antigos todos os dias. Na TV aberta, o SBT comprou o direito de exibição e apresenta a atração dublada, com o nome Dois Homens e Meio.

Como não poderia deixar de ser, o sucesso da série fez suas personagens ficarem conhecidas em outros meios. No Facebook, um aplicativo chamado “Frases de Charlie Harper”, reproduz a sabedoria notória do mulherengo e soma mais de dez mil usuários. “A melhor maquiagem para uma mulher é a bebida para um homem!” ou “Mulher e dinheiro: só se preocupa quem tem pouco” são exemplos de suas pérolas. Machistas ou moralmente ofensivas, o fato é que os criadores souberam trabalhar o tema de maneira tão inteligente e bem humorada, que elas não parecem nenhum absurdo. E quando se trata de humor, quem pode censurá-lo?



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