Arte do canal

índice geral



Home / Cultura Geral / Artigos

12/01/2011 - 17h58 - Atualizado em 23/05/2012 - 07h36

Glee is the word

Por Gabriela Sá Pessoa, Editora do site

A bem-sucedida série americana agrega a alegria dos musicais aos dramas pessoais das personagens

Compartilhe:


Reprodução
O Glee Club sofre com mais um dos ataques de Sue
Sylvester

Grease is the word é o título da música de abertura do filme Grease – Nos Tempos da Brilhantina (1978), musical de maior bilheteria da história do cinema, tendo arrecadado 360 milhões de dólares nas salas ao redor do mundo. Ambientada nos anos 1950, a açucarada história de amor entre os adolescentes Sandy (Olivia Newton-John) e Danny Zuko (John Travolta) trouxe elementos que fizeram escola em Hollywood: romances durante o Ensino Médio, conflitos entre os diferentes grupos do colégio e as intermináveis dúvidas da adolescência. Tudo acompanhado por uma eletrizante trilha sonora devidamente coreografada. 
 
São inúmeros os enredos que partem dessas mesmas premissas. Há poucos anos, a trilogia High School Musical se tornou um grande fenômeno midiático graças a uma história bastante semelhante (se não igual) a Grease, provando que a fórmula - na época considerada brega - ainda funciona.
 
Eis que, em meados de 2009, Glee chega às televisões. Colégio, romance, atores cantando e dançando durante as cenas – o seriado tinha tudo para ser “mais do mesmo”. No entanto, a saga dos alunos do coral New Directions caiu nas graças do público desde o episódio piloto. A trilha sonora do capítulo, encabeçada pela música Don’t Stop Believin’, vendeu um milhão de cópias antes mesmo da estreia oficial. A partir de então, o sitcom vem colecionando recordes de audiência, Discos de Ouro e nomeações a importantes premiações. Só a primeira temporada recebeu dezenove indicações ao Emmy, quatro ao Globo de Ouro e seis ao Satellite Awards.

Glee se diferencia de outras produções do gênero por motivos específicos. Em primeiro lugar, devido à trama central, que gira em torno dos esforços do professor de Espanhol William Schuester (Matthew Morrison) em reerguer o Clube do Coral (Glee Club) da instituição. Consegue atrair para o coletivo o atleta mais popular do Colégio McKinley, Finn Hudson, vivido por Cory Monteith, a fim de desconstruir a imagem de que o clube é frequentado somente por “perdedores”.
 
Pouco a pouco, Sr. Schuester atinge seus objetivos e atrai a ira de Sue Sylvester, treinadora das líderes de torcida, vivida por Jane Lynch. Ela teme que, caso o Clube do Coral se torne bem-sucedido, a verba de seu departamento seja cortada. A carismática vilã ordena, então, que três de suas garotas - Quinn Fabray (Dianna Agron), Santana (Naya Rivera) e Brittany (Heather Mills) - entrem no New Directions para espionar o rival.

Sendo assim, os tipos populares da escola são obrigados a conviver com os “desajustados”: Kurt, homossexual interpretado por Chris Colfer; Artie, personagem cadeirante de Kevin McHale; Tina, garota que, supostamente, sofre de gagueira vivida por Jenna Ushkowitz, e, por fim, a “estrela” do grupo, Rachel Berry (Lea Michele), jovem com muito talento e nenhum amigo.

O inevitável confronto entre as personagens confere profundidade ao seriado. Mais do que meros estereótipos, os membros do Glee Club são seres humanos obrigados a enfrentar uma série de dificuldades rumo à construção de suas identidades. Finn, por exemplo, descobre-se um excelente cantor, porém tem de lidar com a pressão dos amigos esportistas, que se opõem à sua permanência no coral.

Preconceito, gravidez na adolescência e a crise financeira enfrentada pelos Estados Unidos são alguns dos temas abordados na série. Porém, o principal ingrediente de Glee é a música, utilizada não como um adorno nos episódios, mas como elemento de transformação das personagens. As canções escolhidas expressam os sentimentos dos jovens, provando que, assim como na vida real, qualquer dilema fica um pouco tolerável se transformado em melodia.



Comentários Comentários Postados
Comentários Envie o seu comentário

Caro leitor, esse espaço foi criado para que você opine e discuta a matéria que acabou de ler

Cada comentário comporta no máximo 600 caracteres.

Os comentários devem se ater ao texto publicado.

Mensagens ofensivas, provocativas ou que contenham palavras de baixo calão serã excluídas.

restam caracteres.