"The Big Bang Theory" colocou a cultura "nerd" na moda
É fácil saber o que está na moda: basta descobrir qual a série norte-americana mais bem sucedida do momento. De Família Addams a Seinfield, os seriados de longa duração caíram no gosto do público por um motivo especial. Atualmente, é a vez de os nerds de todo o mundo poderem colocar suas camisetas de Guerra nas Estrelas com orgulho: eis que chega The Big Bang Theory, seriado inspirado naqueles que se dedicam aos estudos científicos, quadrinhos e videogames.
A trama gira em torno de Sheldon e Leonard, dois físicos que dividem um apartamento em um prédio cujo elevador está eternamente quebrado. Penny é a nova vizinha da dupla, por quem Leonard se apaixona à primeira vista e, é claro, não é correspondido. O quinteto de protagonistas é completado por Raj e Howard, amigos dos colegas de quarto.
A grande novidade da série está em seus personagens. Apesar de, a princípio, parecerem exagerados, basta ir a qualquer feira de quadrinhos para se encontrar tipos bem semelhantes. Leonard, interpretado por Johnny Galecki, é o nerd mais normal, com quem Penny, vivida por Kaley Cuoco, consegue travar um diálogo com relativa tranqüilidade.
Já Howard (Simon Helberg) é um engenheiro da NASA autoconfiante e inconveniente, que age como se fosse um verdadeiro presente de Deus para as mulheres. Estas acabam recebendo cantadas em cinco idiomas diferentes, devido ao fato de o rapaz ser poliglota. Raj, interpretado por Kunal Nayyar, por outro lado, é um astrofísico indiano incapaz de falar com mulheres a menos que esteja bêbado.
E há, é claro, o geek supremo, Sheldon Cooper (Jim Parsons, que recebeu, em 2010, o Emmy de melhor ator em série cômica). Suas inúmeras excentricidades vão desde seu lugar inegociável no sofá da sala até a mania bater nove vezes na porta antes de entrar. Formou-se na faculdade aos 14 anos, mas “não tem certeza” sobre como se abraça alguém. Seu maior ídolo é o cientista Spock, de Jornada nas Estrelas, e sua marca-registrada é o neologismo “Bazzinga!” (algo como “Te peguei!”). A performance de Parsons é, sem dúvida, o que há de mais marcante em The Big Bang Theory, além de suas piadas serem as grandes responsáveis pela sustentação o enredo.
No entanto, ter como protagonistas quatro cientistas gerava um óbvio problema de enredo. Afinal, como a platéia poderia acompanhar as piadas, quase sempre baseadas na tabela periódica, Jornada nas Estrelas ou super-heróis? Como o espectador que não está inserido, mesmo que minimamente, na cultura nerd poderia saber quem são Stan Lee e Wil Wheaton, ambos recorrentes na série? Em suma, como não tornar a história uma grande piada interna?
É aí que Penny se torna fundamental ao entendimento do seriado. Ela observa, com estranheza e humor, seus amigos donos de altíssimo QI e nenhum traquejo social. Quando Leonard explica as piadas do grupo para a garota, na verdade, ele as está explicando à plateia. Quando Sheldon diz qualquer absurdo como “Olá, eu sei que você está aí. Posso ouvi-la metabolizando oxigênio e expelindo gás carbônico”, é justamente a reação de Penny que completa a piada.
The Big Bang Theory traz um refresco para o mundo das séries. Não apresenta modelos de vida ou dúvidas existenciais, mas trinta minutos repletos de bobagens inteligentes e deliciosas.
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