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27/12/2010 - 13h50 - Atualizado em 23/05/2012 - 07h24

Baile televisivo

Fernanda de Araújo Patrocínio, 3º ano de Jornalismo

Alunas formulam programa que mostra a atual cara da dança

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Você sente falta de espaço na mídia para a dança? Foi pensando nesta hipótese que o trio Thaís Harari, Cristiana Uehara e Camila Rolim resolveram fazer uma revista eletrônica para televisão, chamada Com Passos. A iniciativa é o projeto de conclusão de curso das alunas, que foram orientadas pela professora Tatiana Ferraz. A mesa foi presidida pelo professor de telejornalismo Pedro Ortiz e teve como convidadas a crítica de dança Helena Katz e Adriana Couto, repórter do programa Metrópolis, da TV Cultura.

Na exposição, as alunas explicaram que a proposta era fazer um programa com conteúdo não específico. “O objetivo é satisfazer o leigo, sem desagradar o especialista”, disse Thais. O trio contou com a própria bagagem cultural para montar o projeto, pois elas eram bailarinas. Nome, logotipo e pautas foram pré-definidos, assim como uma base para os programas. Seções como “saúde”, “espetáculo”, “responsabilidade social” e “entrevista” foram elencadas, além da  agenda cultural. Rodrigo Pederneiras, do grupo Corpo, foi o entrevistado do programa piloto, em virtude do aniversário de 35 anos da organização.

As reportagens foram organizadas individualmente, o que trouxe um tom autoral ao trabalho, sendo este apontado pela banca como o ponto peculiar e forte do projeto. “Todas tiveram liberdade para fazer as reportagens”, afirmou Camila. O trio concluiu ainda que a intenção era fazer o projeto piloto, editar conforme as observações da banca e mostrar o resultado à emissoras de canal aberto. Um breve teaser do programa foi apresentado aos convidados.

Helena Katz apontou que as autoras precisam refinar a crítica para fazê-la eficaz. “É preciso dizer que não há dança, de determinado jeito, na TV. Não generalizar, pois há sites que cobrem tudo sobre dança no país”. A crítica, contudo, destacou que o projeto das alunas tem valor, pois, de fato, a abordagem na mídia televisiva é insuficiente. “A idéia de falar com quem não é da dança é ótima”, elogia. No trabalho exposto, Katz acha difícil que as alunas atinjam o público leigo e o especializado. “No logotipo e no nome vocês já dizem que a dança tem passos. Ou seja, a dança contemporânea está fora. È um programa para um determinado nicho de dança”, observa Helena, que orienta as alunas a repensarem no formato do programa para que este não seja “um programa de releases”.

O professor Pedro Ortiz orientou as alunas a terem mais precisão. “É preciso que vocês não caiam em generalizações ao afirmar que há insuficiência da dança na mídia”. Ortiz destacou o cuidado visual e com a produção como pontos fortes do projeto piloto, bem como o tom autoral e participativo das reportagens. “O resgate histórico que vocês fizeram está muito bom”, apontou o acadêmico. Ele ainda aconselha o trio a reformular projeto e as pautas. “O ideal seria mostrá-lo a uma TV pública ou educativa, como a Tv Cultura, e não uma comercial”.

A jornalista Adriana Couto não pode participar da banca. A dupla avaliadora reforçou que as alunas não desistissem da iniciativa, mas destacou que é preciso repensar o projeto. “Há pautas jornalísticas muito boas. Talvez um consultor pudesse ajudá-las”, disse Ortiz. A nota anunciada para as alunas foi 9.



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