Livro-reportagem conta a história do compositor da música Romaria
Nesta quarta-feira, 15 de dezembro, a aluna Renata Cardarelli Gabrielli apresentou seu trabalho de conclusão de curso, o livro-reportagem “Renato Teixeira, um caipira pirapora". A banca, presidida pelo professor de Técnicas de Redação Welington Andrade recebeu como convidados o jornalista Aloísio Milani e o músico Ivan Vilela. A obra foi orientada pelo professor de Jornalismo Básico I, Celso Unzelte.
O perfil biográfico escrito pela graduanda trata a vida de Teixeira em três partes: a descoberta artística, a carreira e os planos para o futuro. Segundo Renata, o personagem lhe interessou por ser um artista multifacetado, chegando a compor tanto jingles publicitários e de propaganda política quanto grandes clássicos da música caipira (ou de raiz). Um exemplo é a canção Romaria, interpretada por Elis Regina e tratada em um capítulo inteiro da obra.
Por conta da dificuldade do contato com Teixeira, Renata explicou o uso de fontes como os filhos do artista e Teodoro Israel, responsável pelo deslanche da carreira do músico. A escolha do formato perfil biográfico em vez da biografia se deu por orientação do qualificador, que admitiu o tempo hábil como um dos possíveis empecilhos. Renata também optou por registrar as letras das músicas na íntegra, como forma de exemplificação do gênero e como amostra do uso da palavra como letrista.
O primeiro a fazer colocações foi Ivan Vilela, que muito elogiou a pertinência do trabalho, tendo em vista o “renascimento” artístico atualmente vivido por Renato Teixeira. “Ele chegou a vender 40 mil cópias de um DVD com Sérgio Reis em algumas semanas”, contou o músico. O convidado refletiu sobre as mudanças na trajetória da história da cultura caipira, entendendo-o como um efeito colateral à globalização e como atual símbolo de orgulho. “Ser caipira, hoje em dia, deixou de ser vergonha”, assumiu. A única crítica feita por Vilela foi quanto à falta de definição ao termo “música de raiz”, usado pela aluna.
Já Aloísio Milani observou a profundidade do trabalho, apontando rumos que um perfil biográfico pode tomar: organização da memória dos entrevistados ou reprodução de estereótipos. Para o jornalista, Renata não produziu uma obra estereotipada. Ele também ou sobre o significado da dificuldade em falar com Renato Teixeira. “É um processo de aprendizagem. Esse problema é constante e não uma exclusividade dele”, afirmou. Como crítica, o convidado expressou a falta de aprofundamento na análise pessoal, nas histórias da mãe do artista (que para ele gerariam um capítulo) e a narração dos momentos de ostracismo do perfilado. “Se você tivesse ido à casa dele, poderia narrar ele observando os passarinhos em vez de ir ao banco, como costuma dizer”, apontou. Milani, que mostrou o trabalho a Inezita Barroso, cantora e apresentadora do programa Viola Minha Viola, assumiu ter aprendido muito com o livro.
Welington Andrade fez um levantamento pontual sobre falhas de informação e gramaticais encontradas ao longo do livro. O professor entendeu que as citações foram usadas em demasia e que haveria uma necessidade de se procurar um foco narrativo, além de um estilo e uma igualdade de tamanho entre os capítulos, já que os dois convidados apontaram a obra como publicável – inclusive Ivan propôs a publicação. A nota da banca foi 10, sendo o TCC aprovado com média 9,5.
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