25 anos após seu lançamento, “Os Goonies” prova que bons filmes nunca envelhecem
Imagine um trabalho concebido por Richard Donner, diretor de Máquina Mortífera e outros consagrados filmes de ação; Chris Columbus, o homem por trás de Esqueceram de Mim, Rent e os três primeiros longas da saga Harry Potter; e Steven Spielberg, cujo currículo dispensa comentários. O resultado não poderia ser outro: um clássico da sétima arte (e da Sessão da Tarde): Os Goonies.
Há 25 anos, o filme tem feito parte da vida de gerações de crianças que, mesmo depois de crescidas, não se esqueceram das aventuras de Mikey Walsh (Sean Astin, o hobbit Sam de O Senhor dos Anéis) e seus amigos Goonies. Em virtude das dívidas de seus pais, a vizinhança onde o grupo de amigos mora está prestes a ser vendida a um grupo de empresários. Reunidos na casa de Mikey, tentam encontrar uma maneira de não se separarem, porém não chegam a uma alternativa possível. Num dado momento, a trupe invade o sótão e começa a explorar as relíquias do pai do anfitrião, ex-curador do museu da cidade.
A aventura então começa. O desastrado Gordo quebra, acidentalmente, um dos antigos quadros do sótão, revelando um mapa do tesouro. Mikey, no mesmo instante, se lembra da antiga lenda que seu pai costumava lhe contar: o temido pirata Willy Caolho teria escondido seus tesouros na cidade onde vivem. O garoto, então, assume o desafio de procurar o espólio do corsário para pagar as dívidas de seus pais, ao passo que estabelece uma desafiadora relação de cumplicidade com Willy Caolho.
Os garotos seguem os passos de Mikey, ainda que contrariados. Eles chegam a uma casa antiga onde, de acordo com o mapa, o tesouro estaria escondido. A sorte, no entanto, parece não estar ao lado dos Goonies: o lugar já havia sido ocupado pelos Fratelli, clã de criminosos que usava o local como esconderijo. Além de driblar as armadilhas - a la Indiana Jones - plantadas pelo pirata, eles têm de escapar da família fora da lei, também interessada no tesouro.
As primeiras descobertas da adolescência, em conflito com o espírito aventureiro infantil, acompanham a busca dos garotos pelo tesouro capaz de manter o grupo unido. No entanto, a empreitada deles surpreende menos pelo enredo do que pela estonteante cenografia. Se Goonies fosse rodado hoje, provavelmente, o seria em chroma key, com os cenários construídos digitalmente. O diretor Richard Donner não teria de providenciar um navio pirata de verdade, mas o filme perderia grande parte de seu charme. Atire a primeira pedra quem não sonhava, quando criança, em escorregar pelo tobogã que levava à lagoa onde o navio estava escondido.
Não se pode esquecer, ademais, da inesquecível música-tema de Os Goonies, cantada por Cyndi Lauper e composta especialmente para o filme. Ícone dos anos 80, a cantora descreve a saga dos garotos como o equilíbrio “nas cordas de tristeza e ambição”. De fato, o filme dirigido por Donner e escrito pela dupla Spielberg-Columbus trata, sobretudo, da amizade capaz de sobreviver ao deslumbramento com os tesouros de Willy Caolho.
As jóias, em vez de serem motivo de disputa entre os membros do grupo, são a última esperança de que eles se mantenham unidos. Uma verdadeira lição de cumplicidade e inocência que, um quarto de século depois, ainda merece ser lembrada por crianças, jovens e adultos.
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