Documentário “Iluminados” conta a ascensão de dois moradores da periferia através das artes cênicas e cinema
Nesta quinta-feira, os alunos Daniela Morás, Daniella Dolme, Rafael Mury e Roberta Russo apresentaram o documentário “Iluminados” como trabalho de conclusão de curso. Para o quarteto, o formato escolhido foi tanto um desafio técnico quanto jornalístico, já que nunca haviam tido experiência. O tema buscou abordar a relação entre o ser humano e a arte como meio de transformação. Para tal, foram utilizados dois personagens, o ator Peterson e o produtor de cinema e ator Nildo Ferreira, que fez parte do elenco do filme Querô (2006). A banca contou com a participação do professor de Telejornalismo Silvio Barbosa e teve como convidadas Magda Crudelli, que trabalha com teatro de bonecos, e Ilana Feldman Marzochi, jornalista e pesquisadora.
Com orientação do professor de Telejornalismo Pedro Ortiz, o documentário trouxe dois personagens originários da periferia para contar suas trajetórias bem-sucedidas através da arte. O grupo justificou que, apesar do tema ser clichê, houve a preocupação de se fazer uma nova abordagem. Para isso, eles convidaram especialistas, como psicodramatistas, para dar seus pareceres sobre a arte do ponto de vista acadêmico. Os quatro alunos assumem que o trabalho amadureceu tanto o olhar pessoal quanto o profissional, além de terem entendido que a pergunta inicial (se a arte transforma as pessoas) tornou-se insuficiente para todas as questões levantadas ao longo das filmagens. Para eles, o documentário refletiu o gosto pelo jornalismo, que faz com que os profissionais sempre sejam surpreendidos.
As críticas feitas pelas convidadas giraram em torno do formato, tendo em vista as pretensões dos autores quanto ao público-alvo e a sobre a divulgação. Apesar de Ilana ter feito críticas ao prólogo, em que foram inseridos vários efeitos visuais e fechado com uma música da banda Beirut, Magda e Sílvio acharam interessante o recurso. Ainda na vez de Ilana, a jornalista pediu para que os alunos fizessem uma revisão do memorial, já que falaram muito sobre o processo de produção em vez da construção – o que eles justificaram ter sido uma orientação recebida na faculdade.
Magda, dizendo-se lisonjeada pelo convite, explicou que com vinte anos de carreira, há quatro ela tem se dedicado às questões levantadas por “Iluminados”. “Vocês escolheram um tema pertinente e falaram sobre pessoas que deram certo. Há uma carência sobre isso”, afirmou. Ressaltando o laço entre as duas personagens, quanto à marginalidade em que vivem (Peterson em Itaquera e Nildo na periferia de Santos), a atriz contou ter percebido a diluição feita pelo grupo ao apontar as diferenças entre os protagonistas: o primeiro se envolveu com drogas e foi parar na Febem, enquanto o segundo interpretou um interno na mesma instituição.
A convidada também fez provocações sobre a exclusão de uma fonte, um menino nordestino de 12 anos que escreve poesias e sofre de glaucoma. Segundo o grupo, deixá-lo de incluir tem a ver tanto com a falta de tempo (porque Deivison só vem a São Paulo de seis em seis meses para realizar tratamento) quanto a distância dos outros dois artistas. Magda ressaltou a diferença de idade e de ambiente como principal motivo: “Talvez ele nem tivesse consciência da arte como transformação”.
Questionados sobre a não recorrência à família, os alunos foram elogiados por Ilana, que achou de bom tom não ter contado com parentes dos entrevistados. “Os documentários atuais padecem desse tom de biografia, de intimidade”, opinou. O qualificador Silvio Barbosa encerrou as considerações dando dicas sobre possíveis maneiras de se editar alguns trechos do documentário bem como elogiou as impressões deixadas por “Iluminados”. “O trabalho mostrou que a arte ensina não só técnica, mas também emoção”, concluiu. A nota da banca foi 10.
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