Depois de turnê pelos EUA, a banda paulistana Garotas Suecas volta ao Brasil trazendo seu primeiro álbum “Escaldante Banda”

Cinco rapazes cabeludos e uma garota meiga harmoniosamente aparelhados com guitarras, baixos, percussão e teclado, munidos de um estilo despojado e jeitinho brasileiro de fazer música: são o Garotas Suecas. Paulistanos, os integrantes formaram a banda em 2005 e fizeram sucesso primeiro no exterior para depois cair nas graças dos brasileiros. Lançaram o primeiríssimo disco Escaldante Banda nos EUA, pelo selo American Dust, e agora o sexteto trouxe o álbum de estreia para o Brasil em um show de lançamento, que aconteceu no dia 13 de novembro, no Centro Cultural de São Paulo.
O grupo se tornou superficialmente conhecido quando levou o prêmio Aposta MTV, no Video Music Brasil, de 2008. Na época, músicas como Codinome Dinamite e Bugalu ganharam videoclipes e certa popularidade. Depois de uma turnê de 26 shows em festivais, bares e até porões espalhados pelos EUA, a banda firmou seu pé na tropicália, em referências da Jovem Guarda, MPB e no que andaram escutando lá fora como funk, soul e jazz e produziram o Escaldante Banda misturando um pouco de cada coisa.
As 10 faixas do álbum retratam o cotidiano e o amor, esbanjando ‘verde e amarelo’. Mercado Roque Santeiro traz na letra uma homenagem ao mercado a céu aberto em Luanda, Angola – e um trocadilho com as palavras “Roque” e “rock” – e, na melodia, bongôs e chocalhos em uma levada afro-brasileira. Em Não Se Perca Por Aí, as referências à Jovem Guarda são observadas desde o mote amoroso, passando pela levada iê-iê-iê e se revelando quando Saldanha, o vocalista, cita Roberto Carlos – “e se um dia eu também me levantar/querendo ouvir Roberto/eu sei que vou me acostumar”. Tudo Bem e Banho de Bucha transitam pelo rock brasileiro dos anos 60. Ela fala sobre o amor de uma maneira simples e graciosa e Sunday Night Blues, cantada em inglês pela voz feminina da banda, Irina Bertolucci, é um sambinha-voz-violão-pandeiro americanizado devido ao idioma.
Em meio aos coloridos que enchem a cabeça dos jovens com letras vazias, baterias barulhentas e meia dúzia de acordes em guitarras estridentes, o Garotas Suecas trazem paz ao espírito dos fãs dos Mutantes, Tim Maia e Roberto Carlos e derrubam a máxima de que “não se faz música como antigamente”. Eles fazem.
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