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29/10/2010 - 11h30 - Atualizado em 23/05/2012 - 03h17

Dicotomia humana

Por Paula Teresa Miranda, aluna do 1º ano de Jornalismo

Personalidades e relações que se formatam diante da dor

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Reprodução
Cena do filme

Um mundo movido à violência psicológica e física, onde diariamente se enfrenta o darwinismo social. O novo filme da cineasta Susanne Bier, Em um mundo melhor, - presente na 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo - apresenta essa questão. Aposta em uma narrativa densa e performances que prendem a atenção desde o início, provocando até mesmo o espectador mais passivo, diante de situações extremas.

A trama gira em torno do universo infantil, que se contrasta com a ideia de inocência inerente a ele. No longa, nem mesmo as crianças estão livres de sentimentos ruins e atitudes perversas, sendo esse um dos pontos que causa estranhamento no público. Entre os protagonistas está o menino Christian, interpretado por William Johnk Nielsen, o qual arquiteta os planos de vingança com ajuda de seu parceiro Elias, personagem de Markus Rygaard. As vidas dos garotos se entrelaçam em um momento frágil para ambos: após a morte da mãe de Christian, ele é obrigado a se mudar para uma cidade pacata e estudar em uma escola onde se depara com o bullying que Elias sofre.

Já no universo adulto, a problemática transita entre os papéis de Anton, vivido por Mikael Persbrandt, e de Claus, papel de Ulrich Thomsen. Anton é pai de Elias e médico em um campo de refugiados na África, auxiliando mesmo sob as péssimas condições de recursos e dilemas éticos com os quais se depara. Claus é um pai ausente para Christian, por conta da rotina de trabalho; sua personalidade se constrói no desamparo e constantemente entra em confronto com questões morais.

Na antagônica dupla Christian-Elias se encontra um ponto de equilíbrio. O primeiro, responde à violência gratuita com a mesma moeda, sem se dar conta das graves consequências de seus atos. O segundo é aparentemente mais centrado, embora ceda aos chamados do amigo. Enquanto um nutre raiva pelo pai, o outro mantém um bom relacionamento com a família, apesar do momento conturbado da separação dos pais.

Um filme com fortes dualidades que consegue mostrar ainda a existência de pessoas que lutam por ideais e tentam fazer a diferença mesmo sendo estes atos isolados. Em síntese, uma produção dinamarquesa bem feita, que coloca o tema da natureza humana em evidência e reflexão.



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