“Cyrus” explora elementos conflitantes das relações humanas
Enquadramentos excêntricos e atuações exuberantes. Com esses elementos que Cyrus conquista o público em um misto de drama e comédia. Uma trama ingênua e despretensiosa que narra o drama de John, interpretado por John C Reilly, homem separado que não conseguiu se desvencilhar da antiga esposa. Além da rotina de uma mulher madura, Molly, vivida por Marisa Tomei, que não se relaciona com um homem desde o nascimento de seu filho e as neuras de Cyrus, papel de Jonah Hill, um jovem imaturo que teme perder a mãe para outro homem.
A história começa apresentando superficialmente a solidão de John, que sete anos após sua separação não consegue superar a rejeição da ex-mulher. Esta, por sua vez, o convence a ir à sua festa de noivado. Lá, sente-se deslocado e antiquado para as mulheres, quando Molly aparece puxando assunto e o acompanha em sua dança frenética. É o início de uma história de amor simples e discreta, mas que precisa enfrentar o ciúme do filho.
Cyrus é um jovem músico que condicionou sua mãe a render-se à tarefa exclusiva da maternidade. Ambos aprisionaram-se em uma solidão a dois e não aceitam com facilidade a existência de um intruso. Mas logo no início do relacionamento de Molly e John, ele nota o quão manipulador e egoísta é o filho dela.
A trama toda se desenvolve tendo como margem o ciúme de Cyrus, além do amor dele pela progenitora e a errada noção de posse em relação à figura materna. John é sincero com Molly, tenta aconselhá-la a não supervalorizar o filho. Entretanto, os dois rompem pela convivência difícil entre John e Cyrus. O amor de Molly por outro homem só é permitido quando o filho percebe a infelicidade da mãe e a estupidez com que trata seu sentimento por ela.
Produzido pelos irmãos Ridley e Tony Scott e dirigido pela dupla Mark e Jay Duplass, o filme é visivelmente simples, sem um enredo profundo. A graça dele está na direção dos irmãos Duplass que deixam as atuações dos brilhantes John C. Reilly e Marisa Tomei aparecerem.
Peculiares são as cenas em close nos olhares com diálogos em off que deixam explícitas a sinceridade do amor que há entre John e Molly. Portanto, Cyrus é encantador do ponto de vista romântico e realista na ótica freudiana.
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