Robert De Niro e Edward Norton se enfrentam psicologicamente no longa “Homens em Fúria”
Dirigido por John Curran, Homens em Fúria cria um drama psicológico no qual vemos Jack Mabry, interpretado por Robert De Niro, desmoronar, enquanto pouco a pouco perde tudo o que faz parte de seu mundo. Está prestes a se aposentar como oficial da condicional em uma prisão, seu casamento não tem mais sentido e possui dificuldades de manter a fé, embora haja esforço para ser cristão como a esposa. A situação piora quando um de seus últimos casos a ser analisado é o do presidiário Stone, atuação de Edward Norton. Jack questiona suas ações, crenças profissionais, e sobretudo, o que o diferencia dos presos por ele avaliados. Por último, a amoral esposa de Stone, vivida por Milla Jovovich, seduz o oficial para assim conseguir a liberdade do marido.
O roteiro gira em torno de Jack, que nas telas não se torna uma personagem forte como a premissa exige. A atuação de Robert De Niro não faz jus aos trabalhos realizados por ele quando mais jovem. O modo como construiu a figura dramática que vemos na tela e a forma de condução apresentou muitas semelhanças com Jack Byrnes, seu papel em Entrando N uma Fria e sua continuação, criando um clima de repetição, principalmente para os fãs mais assíduos do ator. Portanto, focar a obra em torno dele acabou por enfraquecê-la.
A atuação de Edward Norton é o ponto alto do longa. Muitas cenas apresentam diálogos entre Jack e Stone, onde o mais difícil é identificar em que momentos o último está sendo sincero e quando está apenas mentindo para ganhar a liberdade. A partir dessas sequências reparamos nas noções de moral que cada personagem possui, além de características marcantes, como o ar misterioso de Stone, personagem bem trabalhada ao longo do filme, principalmente no que se refere à oposição a Jack, nas similitudes e diferenças entre os dois homens em polos opostos.
Além da falta de profundidade do universo do protagonista, o excesso de temas usados simultaneamente faz o filme se estender demais, deixando a sensação de que poderia ter sido uma obra melhor, destacando assim somente a excelência do trabalho de Edward Norton.
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