Café Filosófico é palco de discussão sobre ações sociais e meio ambiente, mas os palestrantes garantem: não é só “eco-chatice”
Para uma realidade sustentável, mais do que investimentos, é necessária uma mudança cultural. Foi esse o mote do último Café Filosófico, que aconteceu quinta-feira, 14/10, no parque Trianon. O tema, Educação e Responsabilidade Social, é repercussão do Dia da Responsabilidade Social, evento promovido pelas instituições de ensino superior privadas, em 25 de setembro.
O debate contou com dois docentes: a relações públicas Paula Aguiar Barros e Reinaldo Bulgarelli, professor de Sustentabilidade e Responsabilidade Corporativa. Ambos são especialistas no assunto, “mas não eco-chatos”, como garantiu Paula. Ela explica: “Não dá para cobrar uma conduta 100% sustentável. Isso é impossível”.
A discussão sobre responsabilidade social ganhou corpo na década de 90, quando os problemas sociais e ambientais atingiram picos não previstos, e o “selo” da sustentabilidade virou moda. No entanto, o destaque limitou-se à questão do verde e da reciclagem, e a responsabilidade social é bem mais abrangente. Paula esclarece: “É o compromisso com o meio ambiente, sim, mas também é a valorização da diversidade, a garantia de condições de trabalho adequadas e o fornecimento de produtos e serviços de qualidade”.
Além de cobrar essas ações das grandes empresas, cada um deve fazer a sua parte. “O que a gente precisa é de uma mudança cultural; de uma reeducação”, afirma Reinaldo. Comprar produtos “amigos do meio ambiente” ajuda. Mas, além de mais caros - já que esses artigos embutem o custo da ação social -, não constituem uma solução real. “Só mudar o consumo não vai resolver. A gente precisa reduzir a quantidade desse consumo”, atesta.
Outras ações, como preferir o transporte público em vez do carro, também colaboram para um desenvolvimento sustentável. E, nesse caso, há, ainda, um avanço nas comunidades, já que as pessoas tendem a se deslocar menos, dando preferência aos serviços oferecidos nos arredores. Para Reinaldo, isso também é responsabilidade social. “Ela parte do sentimento de pertencer ao lugar; começa com as melhorias no bairro”, explica e conclui que responsabilidade social é encontrar um mundo igual ou melhor do que o que encontramos.
Além dos debates, o Café contou com boa música. O trio formado por Giulia Afiune, aluna do 1º ano de Jornalismo da Faculdade Cásper, Caio Afiune e Fábio Peron encantou a plateia com flauta, guitarra e bandolim. No repertório, clássicos de Jobim, João Bosco e Pixinguinha, entre outros. No final do evento, foram realizados diversos sorteios. Para urna, uma sacolinha biodegradável – no maior espírito da sustentabilidade.
Comentários Postados
Envie o seu comentário
Caro leitor, esse espaço foi criado para que você opine e discuta a matéria que acabou de ler
Cada comentário comporta no máximo 600 caracteres.
Os comentários devem se ater ao texto publicado.
Mensagens ofensivas, provocativas ou que contenham palavras de baixo calão serã excluídas.