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08/10/2010 - 12h39 - Atualizado em 22/05/2012 - 13h01

Um pouco de tudo, um pouco de Serj

Por Ana Castilho, Editora do site

Líder da banda System of a Down, Serj Tankian lança segundo álbum solo depressivo e sóbrio, mas sem perder o lado político

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Reprodução

O trabalho de Serj Tankian sempre foi diversificado. Durante a sua carreira como líder da banda System of a Down, ele fundou com Tom Morello, - guitarrista do Rage Against The Machine - a ONG Axis of Justice, lançou um CD com o músico folclorista Arto Tunçboyacyan e escreveu um livro de poesias. Depois de doze anos, cinco álbuns e diversos prêmios, a sua banda entrou em “hiato”. Os outros integrantes migraram para seus outros trabalhos. O baterista John Domayan, se uniu ao guitarrista Daron Malakian e formou o Scars on Broadway, e o baixista Shavo Odjayan, partiu para o hip hop criando, com o rapper RZA, a Achozen.

Já o vocalista se dedicou à carreira solo, mas não se afastou dos projetos paralelos e nem da atitude politizada que regia os trabalhos do SOAD. Lançado em 2007, o seu primeiro álbum solo, Elect The Dead, tem um pouco de todas as suas experiências. Há o som pesado do SOAD, junto com as letras engajadas e toques de música oriental.

Muito comparado aos trabalhos da sua banda, o primeiro disco solo de Serj Tankian despertava um sentimento de perda nos fãs do SOAD, já que faltava o toque dos outros componentes da banda. Porém, o trabalho solo é mais romântico e melancólico. Essa diferença é clara em seu novo disco: Imperfect Harmonies.
 
Lançado no dia 21 de setembro, o CD foi introduzido por uma campanha forte no site de Serj Tankian. Uma promoção pedia para os fãs mandarem vídeos e participarem de ações promovidas pela equipe do músico. Outro texto postado na página falava sobre o fim das fronteiras – geográficas ou não, como discriminações e preconceitos - e uma ação em conjunto com a ANCA, um grupo político que trabalha em prol dos armênios que vivem na América, pelo reconhecimento do genocídio armênio, ideia defendida por Serj e companheiros do SOAD desde os primórdios da banda.

Em relação à música em si, Imperfect Harmonies tem um estilo bem uniforme, mas um pouco diferente do primeiro disco. Não possui um som tão pesado e puxado para o heavy metal, mas flerta com outros estilos como blues, jazz e eletrônico. Para muitos fãs, esse trabalho mostrou um Serj mais sem graça, já que não tem guitarras estridentes e gritos característicos do SOAD. O que encontram nesse CD é um artista mais velho e poeta que músico.

A primeira música a ser lançada, Borders Are, tem uma batida mais marcada que as outras. A sua letra faz referências, mesmo que implícitas, ao texto publicado no site do músico. Deserving? começa calma, mas ganha força e tem um refrão mais pesado, em contraste com a voz atual de Serj, mas, ainda sim, sem muitos gritos ou elevações de tons. Beatus é melancólica e, assim como Wings of Summer, romântica. Gate 21, que havia sido apresentada ao público antes do lançamento do CD, é tocada apenas no piano, como Yes, It’s Genocide – cantada em armênio, faz referência as ideias e trabalho da ANCA em prol do reconhecimento do genocídio cometido em 1915.

Imperfect Harmonies é equilibrado, mesmo sendo uma mistura de estilos. O grande problema do álbum é exatamente esse, já que faz com que os fãs antigos de Serj, que o acompanham desde sua época no System of a Down, se sintam um pouco órfãos. Porém, o disco tenta preencher esse vazio com o que eles mais gostam: um pouco de Serj Tankian.



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