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01/10/2010 - 12h35 - Atualizado em 22/05/2012 - 12h48

A tênue linha que divide dois mundos

Por Ana Castilho, Editora do site

Sensível e triste, “Destinos Cruzados” mostra uma história unida pelo acaso

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Reprodução
Cartaz do filme

O que uma viúva protestante do interior da Inglaterra e um guarda florestal muçulmano da França têm em comum? Essa pergunta que o filme Destinos Cruzados, de Rachid Bouchareb, quer responder. Mesmo conseguindo, não deixa de levantar uma série de questões presentes em toda a sociedade que lida diariamente com o medo e insegurança.

O longa se passa em 2005. Elisabeth (Brenda Blethyn) é uma dona de casa religiosa que vive em uma pequena cidade no Canal da Mancha. Depois de saber de um atentado em Londres, fica preocupada com a filha, que foi para a capital estudar. Sem notícias da jovem, parte em busca dela. Ao mesmo tempo, na França, o argelino Ousmane (Sotigui Kouyaté) viaja para Londres atrás do filho, depois de receber um recado da ex-esposa.

Ao chegarem ao destino, a busca dos dois por informações se torna desesperadora, já que ninguém sabe do paradeiro dos dois jovens. A viúva católica tem que lidar com o preconceito que sente dos vizinhos de sua filha, moradora de um bairro predominantemente muçulmano. Já o guarda florestal sofre com a dificuldade de comunicação e hostilidade de muitos, devido a sua cor e religião.

A Londres pós-atentado é de puro caos e medo. As reportagens da TV mostram corpos sem vida e familiares chorando, as listas de feridos e mortos não param de crescer e nenhuma notícia dos jovens. Ao descobrirem que seus filhos mantinham um relacionamento, Elisabeth e Ousmane se unem na busca por notícias, que podem ser boas ou ruins.

A obra não cai na tentação de se tornar um dramalhão com uma emoção frágil, mas trata de um tema pesado de forma leve e natural, sem ser apelativo. Vários fatores, como o roteiro e a trilha sonora, ajudam nessa parte, mas o grande mérito é da atuação. Brenda Blethyn apresenta uma senhora crente em suas convicções e mostra a perfeição da construção da personagem por meio de falas e olhares. Já o ator Sotigui Kouyaté chama atenção através de gestos curtos e um silêncio sincero. Esse foi o último filme do ator, morto no início do ano, e uma das suas mais aclamadas atuações. 

A primeira vista, Destinos Cruzados é um filme sobre uma busca e o amor que os pais sentem pelos seus filhos, independente da sua participação na vida deles. Mas, para os olhares mais atentos, trata sobre diferenças e solidão. Em um mundo pós 11 de setembro, que lida diariamente com problemas táteis, como guerras e prisões, e abstratos, como preconceito e individualismo, o tratamento possui alta dose de realismo, porém é sensível e verdadeiro.



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